Nenhum aumento de preços é bem assimilado. Nas universidades particulares, então, cada reajuste gera discussões quase intermináveis entre as instituições e os estudantes. No Paraná, a Pontifícia Universidade Católica (PUCPR) tem “tradição” de mobilizações dos alunos. Na década de 90, uma rebelião provocou greve e o distanciamento definitivo entre os estudantes e os docentes.

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E o fato se repetiu ontem, em Curitiba. Moços e moças fecharam a Rua Imaculada Conceição, em frente à universidade, pedindo melhoria na infra-estrutura, reformulação no sistema de ensino, acesso às planilhas de custos e o cumprimento de metas estabelecidas pela instituição. O estopim para a manifestação foi o anúncio do reajuste de 8,75% nas mensalidades, a partir de janeiro do ano que vem.

Os alunos permitiram, durante a manhã de ontem, apenas a passagem dos ônibus do transporte coletivo. Ameaçavam bloquear totalmente a rua na hora de maior trânsito, e causar uma confusão na porta da universidade – que se espalharia pelas imediações. Ouvida pela repórter Joyce Carvalho, uma estudante garantiu que o movimento é pacífico. “Não queremos invadir o prédio da reitoria. Apenas queremos que eles nos notem”, disse.

Alunos, professores e reitores travam um duelo singular. Os estudantes dizem querem a melhora no ensino, que em uma mesa de negociação pode se tornar uma exigência empírica – melhor para quem? Os professores ficam reféns de uma disputa que teoricamente não lhes compete, mas que acaba afetando-lhes diretamente. E os reitores precisam, a cada momento, provar para a comunidade universitária as razões do reajuste, e têm a obrigação de buscar a melhoria da infra-estrutura e da qualidade dos cursos.

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Se fôssemos reduzir ao mínimo comum, chegaríamos à conclusão de que todos seguem pelo mesmo caminho. Mas não é assim. Os estudantes querem respostas imediatas. No que têm razão -afinal, esperam que seus quatro (ou cinco, ou seis) anos na faculdade sejam proveitosos. E não querem um curso que sirva como simples contagem regressiva para o mercado de trabalho.