Comunicação provoca mudanças radicais

Por seu forte poder de influência no modo de pensar e de agir das pessoas, a mídia eletrônica (rádio, televisão e internet) e a mídia impressa (jornais e revistas) têm responsabilidades novas na promoção da educação e do desenvolvimento econômico, social e cultural da humanidade. É tarefa da comunicação contribuir para a construção de uma sociedade mais crítica, culta e evoluída, difundir a cultura da paz e elevar os padrões éticos da comunidade.

Fato ou lenda, o mito da Torre de Babel, descrito no livro do Gênesis, revela a necessidade de maior entendimento entre os homens para poderem realizar os seus sonhos. O projeto coletivo era construir uma torre que alcançasse o céu. A iniciativa fracassou por causa da confusão das línguas, em outras palavras, por falha na comunicação. De certa maneira, o antigo problema continua: altas e aparentemente sólidas torres não ficam em pé por absoluta falta de comunicação e de entendimento entre as pessoas.

Entretanto, desde a mais tenra idade, esforçamo-nos por compreender e por nos fazer compreender. O século XXI nasceu sob esse impacto de nova revolução da informação e dos meios de comunicação social. A ânsia de comunicar bem é um ato recente. Pode-se afirmar que a sociedade da informação e do conhecimento tem influência direta no complexo processo de globalização em que nos encontramos.

De múltiplas maneiras, a sociedade moderna está envolvida pelos vários sistemas e meios de comunicação. Em pouco mais de cem anos, invenções como o telégrafo, o telefone, o rádio, o cinema, a televisão e a internet modificaram as noções de tempo e de espaço. As distâncias estão cada vez mais curtas e a noção de temporalidade ficou extremamente relativa. Hoje, podemos estar em qualquer lugar utilizando-nos de um sistema de teleconferência, por exemplo, que nos permite interagir em tempo real. Passamos do estágio de homo loquens para o de homo digital.

Daí a necessidade de estudar amplamente as novas mídias e as novas tecnologias. Igualmente, é fundamental investigar e formular novas teorias da comunicação que atendam aos interesses e às necessidades das pessoas e da sociedade. É preciso compreender os valores de troca e o uso dos bens culturais circulantes no mundo globalizado. Quanto mais organizada for uma comunidade, mais complexos serão os sistemas de comunicação e mais complexa será a sua compreensão.

Por isso, essencial é educar crianças e jovens para o bom uso dos meios em vista dos fins que a sociedade busca. É preciso ter presente que tão importante quanto os fatos anunciados são os valores proclamados. Para tal, deve-se preparar integralmente homens e mulheres que terão microfones e câmaras nas mãos e transmissores e satélites ao seu dispor. O peso universitário de formar bons comunicadores não pode ser subestimado por nenhuma instituição de ensino.

Considero importante a universidade manter e desenvolver a área de comunicação social. Recursos são alocados para formação dos profissionais do ramo, docentes qualificados, equipamentos e laboratórios, sistemas e processos modernos, quadros de pessoal técnico. Todo esse empenho institucional vai beneficiar tanto os estudantes e futuros comunicadores quanto os cidadãos e as organizações.

Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.

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