Clemente Ivo Juliatto
As instituições de ensino superior têm compromissos explícitos com a excelência acadêmica integral e com a evolução da sociedade. Esses compromissos são assumidos em favor da clientela e da comunidade a que servem. O objetivo maior da educação integral não é o conhecimento de fatos, mas a aquisição de valores. Por isso, pode-se dizer que a qualidade de uma universidade é medida muito mais pela qualificação de alunos que dela saem do que pelo tipo de alunos que nela ingressam.
É oportuno lembrar que, há mais de dois mil anos, Cícero perguntava a seus pares se existia algo melhor a fazer em favor da República do que educar a sua juventude. O historiador inglês Herbert George Wells, após analisar a evolução da nossa civilização, dava razão a Cícero, ao concluir: ?A história humana torna-se cada vez mais uma corrida entre a educação e a catástrofe?. Outro expoente das letras e do pensamento, já nosso contemporâneo, o imortal escritor Jorge Luis Borges, refletindo sobre a mesma pergunta, ensaiou uma resposta: ?Não sei se a educação pode salvar-nos, mas não conheço nada melhor?. Pelas suas palavras, parece que ainda paira um resquício de dúvida, que é desfeita com a voz abalizada da Unesco, que arremata: ?A educação é, sem dúvida, o maior investimento que uma nação pode fazer por ela mesma e por seus cidadãos?. E por ter absoluta certeza da resposta, a PUCPR abriu, recentemente, novos campi universitários: Londrina, em 2002; Toledo, em 2003; Maringá, em 2004.
Entendo que o cultivo do conhecimento, o trabalho intelectual, a pesquisa, a aprendizagem e as outras atividades acadêmicas e educativas devem ser tratados com o rigor científico e o padrão de qualidade que a dignidade e a grandeza do trabalho exigem. Mais do que qualquer outra coisa, a universidade é, em sua essência, uma comunidade de mestres e discípulos irmanados na busca da verdade e da sabedoria. Aproveito esta oportunidade para fazer aos professores, estudantes e dirigentes um apelo com carinho: Estejam cientes de que vocês, e principalmente vocês, fazem a excelência da escola. Cada um realizando aquilo que lhe é próprio, mas todos perseguindo os mesmos propósitos. Daqui a alguns – ou muitos – anos, vocês irão ter saudade e orgulho deste ambiente e período da vida.
Lembro que as primeiras universidades nasceram à sombra das catedrais. Eram todas universidades católicas. Algumas delas beiram quase um milênio de existência, como as de Bolonha, Paris e Oxford. Nota-se, assim, o papel secular desempenhado pela Igreja na educação, na cultura e na promoção dos valores humanos. A Igreja acredita que é preciso educar todo o homem e o homem todo, como afirma a Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae. Esse documento abre o seu primeiro parágrafo referindo-se à universidade católica como ?nascida do coração da Igreja?.
A universidade é o centro do pensamento e a fiel depositária da grande herança cultural e do saber acumulado pela humanidade. O conhecimento é, reconhecidamente, a poderosa mola propulsora que impulsiona a evolução da sociedade e, por isso, é o seu bem mais precioso. Este mesmo conhecimento é, precisamente, a matéria-prima com que opera a universidade. A função da academia é a de guardá-lo, sistematizá-lo, expandi-lo e disseminá-lo. Em época de verdadeira explosão de conhecimentos e informações, como é a que atravessamos, cresce ainda mais a importância social da universidade. Um novo campus universitário, por exemplo, é um novo canteiro, onde é cultivado o pensamento, e um novo jardim, onde floresce o conhecimento.
Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.