Viver é superar desafios. Humildade, coragem e competência são os requisitos necessários para superá-los. Como humildade está o reconhecimento que modelos ou paradigmas sedimentados que não funcionam precisam ser reinventados. E que para mudá-los é necessário muita coragem, aliada a criatividade. Mas, para que a mudança dê certo é indispensável a competência.
Esta é a equação que é capaz de resolver um dos mais sérios desafios não só do segmento de saúde, mas que diz respeito a toda a sociedade brasileira: a crise dos planos de saúde.
E por que é um desafio, um paradoxo? É que nenhuma das partes integrantes dos planos de saúde do País está satisfeita. Reclamam os médicos da baixa remuneração recebida em seus atendimentos; reclamam os hospitais, laboratórios e prestadores de serviço do custo das tabelas e reclamam os usuários do valor das mensalidades de seus planos.
Então, alguma coisa está errada. E parece que tudo está errado mesmo. É só ver que é cada vez maior o número de médicos que pedem descredenciamento dos planos de saúde, insatisfeitos com as taxas de remuneração de suas consultas. É preocupante o número de usuários que se desligam dos planos de saúde. É dramático o número de hospitais, laboratórios e prestadores de serviço que deixam de atender os planos de saúde.
Pode-se seguramente somar os descontentamentos, decepções e frustrações de todas as partes que o resultado será negativo para todo o sistema complementar de saúde. E a leitura deste quadro mostra um diagnóstico de crise que só tende a se agravar.
E qual é o caminho para superar este desafio?
Retornamos assim ao imperativo de se adotar a equação que exige dos administradores dos planos de saúde humildade, coragem e competência para enfrentar a crise.
Deve-se ter humildade para reconhecer que seus modelos de gestão estão ultrapassados, lembrando que o mundo mudou e não pára de mudar. O que era moderno há oito ou dez anos, hoje não funciona mais. Vale o ditado popular que time que não está ganhando deve ser mudado agora ou depois não tem mais perigo de dar certo.
E para que haja mudança é preciso que os gestores tenham coragem. A omissão é a marca dos que têm medo de assumir riscos. A própria omissão é um risco maior, já que a imobilidade frente ao desafio não leva a nenhuma solução.
Mas, para fazer acontecer, para implantar mudanças é necessário que os gestores dos planos de saúde tenham competência. O mundo de hoje não tem mais lugar para amadores em administração. A competência é um produto caro. Não se recebe por inspiração e não se compra em liquidações. A competência é um longo e dedicado processo de aprendizagem que passa obrigatoriamente pelo caminho do conhecimento, do primado da especialização.
É evidente, portanto, que os planos de saúde têm que passar por um choque de competência de gestão. Fora deste caminho a crise só vai se agravar.
Este é o desafio de todas as partes dos planos de saúde – gestores, cooperados, prestadores e usuários. Da seriedade que possam tratar este desafio é que se poderá encontrar a sua solução, porque a única coisa permanente em nossas vidas é a mudança.
Manoel Almeida Neto é presidente do Instituto da Gestão em Saúde.