Pronto. As coisas estão resolvidas. Depois de um ano e meio em idas e vindas, as seções paranaenses do PT e do PMDB descobriram o caminho ideal para formar uma chapa forte para a eleição do ano que vem: criaram uma comissão.
O texto da repórter Elizabete Castro, na edição de ontem de O Estado, resume bem a história: “Peemedebistas e petistas decidiram criar uma comissão com cinco representantes de cada partido para continuar discutindo uma proposta de aliança para as eleições do próximo ano. Foi a saída intermediária adotada pelos dois partidos. Apesar de o PT ter oferecido aos anfitriões um arranjo de flores, a conversa não terminou como os peemedebistas mais ligados ao governador Roberto Requião desejavam, com um compromisso do PT de fazer opção preferencial por aliança com o PMDB em 2010. (…) Sem definições, foi marcado um novo encontro para o próximo dia 3 de agosto”.
É sensacional. Primeiro, os partidos discutiram internamente. Mais tarde, em crise de relacionamento, reclamaram mutuamente nos gabinetes e pela imprensa. Voltaram às boas sem, no entanto, chegar a um denominador comum. Na segunda-feira, reuniram-se e novamente não conseguiram um acordo. Para resolver tudo, pelo menos formaram a comissão. E o que ela vai fazer? Discutir. De tanto discutir, petistas e peemedebistas vão acabar roucos.
O que todos sabem, tanto a turma do PT quanto a do PMDB, é que há interesses inconciliáveis rondando esta aliança. De um lado, o interesse petista em ter, de qualquer forma, um palanque forte, e isto passa pelo apoio ao senador Osmar Dias, que será candidato pelo PDT. De outro, a intransigência do governador Roberto Requião, que só aceita a aliança se for do jeito dele.
O resultado de tanta divergência só pode ser o afastamento dos partidos. Ou, então, alguém terá que ceder. Como é difícil imaginar que Requião ceda em alguma coisa, é possível ver o PT caminhando sozinho em 2010 -ou, talvez, segurando a bandeira de Osmar Dias e vendo o esfacelamento do PMDB nativo.