Até há pouco tempo, o humorista Dedé Santana comandava um programa de TV no SBT. Apoiado pelo empresário Beto Carrero (falecido recentemente), ele liderava uma trupe de jovens comediantes em aventuras dentro de um parque de diversões. O nome do programa, que chegou a rivalizar com a TV Globo em audiência, era Dedé e o comando maluco – que saiu do ar com a volta de Santana à Rede Globo, refazendo a longínqua parceria (Didi e Dedé) com Renato Aragão.

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Mas quem quiser assistir a um espetáculo parecido, pode ir até a Assembleia Legislativa do Paraná. Lá acontece o Governador e seu comando maluco, um grupo de dezoito deputados estaduais do PMDB que não consegue andar para o mesmo lado. Há aqueles que não saem da barra de Roberto Requião, como o líder do governo Luiz Claudio Romanelli, fazendo tudo que seu grande líder manda. Há os reticentes, como Reinhold Stephanes Júnior, que vivem dilemas constantes por conta dos arroubos amalucados do governador. Há os definitivamente oposicionistas, como Mauro Moraes, que só não abandonam o barco pela obrigação legal de, caso mudar de partido, ter que abdicar do mandato.

E, a partir da última terça-feira, um novo personagem entrou no “comando maluco”. E um personagem e tanto – o líder do PMDB em Paranaguá, Mário Roque, que assumiu a vaga na Assembleia de Luiz Fernando Ribas Carli Filho, que renunciou após protagonizar um acidente que matou dois jovens.

(Fazendo um rápido parêntese: a quantas anda o inquérito envolvendo o ex-deputado? O Ministério Público segue investigando o caso. E o deputado, que estava tão mal há poucos dias, recuperou-se de forma sensacional, teve alta e já sumiu? Fecha parêntese.)

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Voltando a Roque, ele é um político singular. De trajetória simples, ele atingiu grande personalidade e popularidade no litoral do Estado. Mas, por conta de sua personalidade forte – para dizer o mínimo -, sempre se mete em confusões. Certa vez, prefeito de Paranaguá, ele foi para a briga com o então presidente do Coritiba, Giovani Gionédis, e com vários outros dirigentes, como Domingos Moro. O Estado contou essa história em 2004: “Roque, visivelmente irritado, acusou Moro de ter lhe ofendido moralmente, além de desconfiar que o vice alviverde estava sob efeito de bebida ou drogas ilícitas. ‘Ele está emaconhado (sic)’, desferiu Roque na direção de Moro, que mostrou as escoriações nas costas, respondendo: ‘Não sou eu quem tem cara de bêbado’”.

Ano passado, fez das suas com o governador, como lembrou na edição de ontem de O Estado a repórter Elizabete Castro: “Na campanha eleitoral do ano passado para a prefeitura de Paranaguá, em desvantagem nas pesquisas de intenções de votos, Mário Roque distribuiu um vídeo em um site na internet em que acusava publicamente o governador pela falta de resultados eleitorais. Mas principalmente atacou Eduardo Requião, o irmão do governador que estava na superintendência da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), à época. Desde então, Mário Roque permanece no comando do partido na cidade, mas não reatou com Requião”.

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Na mesma matéria, perguntado sobre o assunto, Roque se explica e escancara seu estilo: “Nós dois temos o mesmo feitio. Não nos desculpamos um com o outro”, disse o deputado.

E é este Mário Roque, mais um integrante do “comando maluco” do PMDB na Assembleia Legislativa do Paraná. Um grupo tão insólito que chega a constranger aqueles, que mesmo fazendo parte dele, não conseguem esconder sua decepção com o rumo que a política paranaense (principalmente a gerada a partir do Palácio das Araucárias) tomou nos últimos anos.