O que mais se cobra dos políticos é uma conduta coerente. Que eles tenham filosofia partidária, que não mudem de opinião descaradamente, que não sejam fisiologistas. Claro que qualquer pessoa tem o direito de agir como bem entender (sem que isto represente um desvio de conduta). Mas, quando votamos em um candidato, esperamos que ele mantenha, caso eleito, as premissas que fizeram os eleitores escolhê-lo.
Coerência, no entanto, não é apenas manter uma opinião sempre, sem permitir que a evolução das coisas aperfeiçoe o pensamento. Coerência é agir de acordo com a consciência, é tomar partido a favor dos seus sempre que necessário, é manter uma linha de conduta, seja em qual lado for, por toda uma carreira.
Na edição de ontem de O Estado, a repórter Elizabete Castro conversou com o presidente estadual do DEM, deputado federal Abelardo Lupion. Ele não gostou da possibilidade de o senador Osmar Dias (PDT) ser líder do governo no Senado Federal – ele foi sondado por colegas, mas ainda não recebeu um convite formal. A reportagem informa que “para Lupion, que defende Osmar como candidato ao governo na aliança entre pedetistas, tucanos e o DEM nas eleições do próximo ano, o senador renegaria sua história se passasse a representar o governo Lula no Congresso”.
Se olharmos apenas o que aconteceu nos últimos anos, poderíamos dizer que Lupion tem razão. Afinal, Osmar Dias aliou-se ao DEM e ao PSDB na eleição de 2006, quando perdeu o governo do Estado por dez mil votos. Por isso o deputado espera contar com o senador em 2010.
Mas Osmar também tem uma história política que o liga, mesmo indiretamente, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar do convite ter “segundas intenções” (fazer do senador o candidato da coalizão federal), se ele aceitasse não feriria a coerência. É a vantagem de fazer política com independência – Osmar Dias tem, hoje, a confortável situação de se posicionar ou ao lado do governo Lula, ou contra ele. Só será prejudicado se escolher um lado somente com interesses eleitoreiros.