Clima global

O Brasil fez boa figura nos debates da l4.ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), encerrada na madrugada de sábado passado em Poznan (Polônia), depois de 15 dias de exposições políticas, econômicas e científicas sobre o tema. O Brasil e outros países emergentes aproveitaram o momento de transição de poder nos Estados Unidos e a apagada atuação dos representantes norte-americanos, para reafirmar sua ação gradativa e eficaz na luta contra o aquecimento global.

Essa posição foi muito bem recebida pela comunidade internacional das organizações ambientalistas, tendo em vista a resposta positiva dada ao argumento dos países ricos, principalmente os Estados Unidos, que quase nada fizeram no sentido de diminuir as emissões dos gases do efeito-estufa, de que somente mudariam o comportamento quando os países emergentes fixassem suas próprias metas. Por esse motivo, a decisão brasileira de diminuir em 73% o desmatamento até 2017 causou sensação entre os participantes do evento mundial.

O compromisso é muito sério e está incluído no Plano Nacional de Mudanças Climáticas, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para aproveitar uma ocasião altamente propícia, exatamente no dia em que a conferência de Poznan estava sendo instalada. A expectativa favorável à posição do Brasil, China, Índia, México e África do Sul, que deixam a condição de satélites para assumir a vanguarda na discussão da importante questão das mudanças climáticas, também é derivada do conflito de opiniões entre governantes da União Européia, que ainda devem à população de seus respectivos países a aprovação das metas do Programa Energia-Clima para o continente. Também contribuiu de maneira exponencial para a entusiasmada receptividade às propostas defendidas pelos emergentes, o abandono do argumento da “responsabilidade histórica”, que sempre atribuiu ao desenvolvimento industrial dos países ricos, a partir do século XVIII, a parcela majoritária de culpabilidade pelo aquecimento global.

Ainda é tempo, portanto, de recuperar o que se perdeu em discussões acadêmicas e, nesse sentido, o Brasil também é devedor de uma resposta proativa que não satisfaça apenas à nacionalidade, mas que sirva de exemplo para os demais povos. O Greenpeace, uma das entidades ambientalistas mais reconhecidas na comunidade mundial, por intermédio do dirigente Richard Worthington saudou o novo cenário: “Países em desenvolvimento como o Brasil, que criou o Fundo Amazônia e já tem US$ 1 bilhão para enfrentar o desmatamento, o México, a África do Sul e a China dão sinais. Mas não vemos avanço dos países ricos”.

Poznan deveria produzir o esboço do compromisso a ser firmado no encontro de Copenhague em 2009, mas pelo visto não se avançou na proporção esperada. Por esse motivo, o secretário-geral da conferência, o diplomata holandês Yvo de Boer, admitiu a impossibilidade de fechar no encontro do próximo ano, o acordo que deverá substituir o Protocolo de Kyoto, cujas metas vigoram até 2012. Um dos pontos divergentes foi o desmatamento, para o qual o Brasil sugere a formação de um fundo com doações voluntárias para os emergentes evitarem a derrubada indiscriminada da floresta. O impasse veio dos países ricos, que dão preferência ao mecanismo da compra de créditos de carbono. Para o Brasil, no entanto, isso não resolve o problema, pois o excesso de crédito barato no mercado não garante que as economias industrializadas se comprometam a reduzir a emissão de gases.

Por outro lado, a comunidade ambientalista está aguardando o anúncio das políticas para meio ambiente e aquecimento global do presidente eleito Barack Obama, que já declarou a pretensão de chegar a 2020 com o nível de emissões de gases do efeito estufa igual aos de trinta anos atrás. É um grande passo, dizem cientistas e pesquisadores da área, mas ainda assim muito aquém do necessário. Nenhuma solução pode ser acanhada no problema do aquecimento global.

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