Foi um ano em que tudo aconteceu. Se estivéssemos ainda no dia 1º de janeiro, e viesse um emissário do “futuro” contando o que 2018 nos ofereceria, certamente não iríamos acreditar. Para o bem ou para o mal, a favor de alguns e contra outros (e vice-versa), terminamos este ano com o Brasil virado do avesso.

Quando chegar 2019, tudo será diferente.

Vimos algumas verdades absolutas serem destruídas: “o Lula não vai ser preso”, “o Lula não vai ficar preso”, “o Brasil nunca vai eleger o Bolsonaro”, “a seleção do Tite vai ganhar a Copa”, “nunca o Paraná vai eleger um cara chamado Ratinho”, “o brasileiro é cordial”.

Pois bem: Lula foi condenado, foi preso, não houve nenhuma convulsão social, e ele continua cumprindo sua pena em Curitiba; a despeito de muitas contestações, Jair Bolsonaro foi eleito presidente; a seleção brasileira fracassou na Copa do Mundo; Ratinho Júnior ganhou a eleição no Paraná de lavada; e mostramos nossa face mais intolerante e raivosa.

Sobrevivemos a um ano que teve crise econômica, corrupção em todos os níveis, dólar subindo, reforma da Previdência frustrada. Supremo Tribunal Federal em ebulição, instabilidade internacional, assassinato da Marielle, atentado a Bolsonaro, incêndio no Museu Nacional, um batalhão de fake news e linchamentos virtuais e reais.

Sem contar a greve dos caminhoneiros, que parou o País em maio e mostrou o quanto somos reféns de um tipo de transporte de cargas.

Se não fosse suficiente, terminamos dezembro com o escândalo envolvendo o médium João de Deus; o estranhíssimo caso do assessor Queiroz, que envolve a família Bolsonaro; as bizarras diplomações dos eleitos com socos e pontapés; e ainda um “Lula solto” e “Lula preso” na mesma tarde. E convenhamos que o ano ainda não acabou.

O clichê de Juscelino Kubitscheck teve que ser atualizado. Vivemos cinquenta anos em um. O que aconteceu em 2018 terá impacto no futuro imediato e distante. Somos brasileiros bem diferentes depois de tudo que passou. Se isso será bom, só o tempo vai dizer. Mas torcemos que sim.