Em um tempo de desilusões e falta de credibilidade, facilmente nos agarramos aos ídolos. E em um país que não consegue ter exemplos grandiosos na política e nas artes, sobram-nos os herois do esporte. Ganhamos um novo em nosso panteão. O nadador César Cielo Filho, que já virara ídolo de porte ao ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, no ano passado, levou dois títulos no Mundial de Esportes Aquáticos, que terminou domingo em Roma, na Itália.

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O feito dele o transformou no nadador mais rápido do planeta. Vencedor nas provas dos 50 metros e 100 metros estilo livre, Cielo marcou seu nome na história do esporte e ficou como uma das estrelas da competição, sendo praticamente “adotado” pelos italianos, que gritavam por ele a cada momento em que subia ao pódio e ameaçava chorar. “Pode chorar”, falavam para o brasileiro, que aí não resistia.

O despacho da Agência Estado, na edição de domingo de O Estado, completa o resumo do feito de “Cesão”, apelido do nadador: “Aos 22 anos, César Cielo já é o maior nadador brasileiro da história e um dos grandes nomes do Brasil no esporte. Além das duas vitórias no Mundial de Roma, ele teve uma performance fantástica na Olimpíada de Pequim, no ano passado, quando foi medalhista de ouro nos 50 metros livre e de bronze nos 100 metros livre”.

César Cielo é um brasileiro. Não tem o tipo físico comum da nossa população, é alto e loiro. Teve a chance que poucos têm, que é a de estudar fora do País – há alguns anos ele treina nos Estados Unidos, sendo preparado para ser o maior nadador do mundo.

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Mesmo assim, tendo todas as oportunidades e com um trabalho planejado típico das potências olímpicas, César Cielo não esconde o país em que nasceu. É aquele cidadão que Darcy Ribeiro definiu como “homem cordial”: não esconde as emoções, é ligado à família e aos amigos, e tem profundo orgulho em defender o Brasil. Vai a Roma levando Santa Bárbara d’Oeste (SP), sua terra natal, no coração. E leva às piscinas, mesmo que de longe, a honra de todos os brasileiros.