Luiz Fernando Delazari

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Engana-se quem pensa que o investimento em segurança pública é apenas uma luta contra a criminalidade.

Olhemos para o exemplo concreto do sucesso da Operação Viva o Verão. Restabelecemos a ordem e devolvemos a tranqüilidade para quem freqüenta as praias do Paraná. Isso fez com que atingíssemos o recorde no número de turistas que passou pelo litoral do Estado, o que conseqüentemente incrementou a economia, gerou renda, empregos e diminuiu a exclusão social.

Entretanto e infelizmente, assistimos a alguns exemplos onde o investimento em aparatos de segurança, na qualificação do policial, na intensificação de ações para o combate à criminalidade não gera o efeito esperado. Foi o que aconteceu no caso da Vila das Torres, em Curitiba, conhecida pelos assaltos em semáforos, pelo tráfico de drogas, pela exploração sexual infanto-juvenil. Desde o início da gestão do governador Roberto Requião, as polícias Civil e Militar, em conjunto, elaboraram planos especiais de ação, intensificaram o policiamento na região, mas, mesmo assim, os índices de criminalidade não baixaram na mesma proporção do trabalho realizado.

E desta vez, culpar a polícia é ser simplista, egoísta. É fechar os olhos para um problema que não será resolvido apenas com o uso da força policial. É necessário sim usar a força do Estado em seu sentido mais amplo e nada partidário, abusar das parcerias com a sociedade civil organizada, que também deve assumir sua parcela de responsabilidade.

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Sabemos que se não devolvermos a cidadania aos moradores locais, através da geração de renda, emprego, de projetos sociais de recuperação, necessariamente não afastaremos as pessoas do crime, que se transforma para os ?excluídos? numa das únicas opções de se ?ganhar a vida?.

E é para reverter esta realidade que se instala em algumas localidades paranaenses, que mais uma vez inovamos, criando um novo modelo de segurança pública, com um projeto ousado para dividir a responsabilidade da ?devolução? da cidadania entre os governos estadual, municipal e sociedade civil organizada.

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As polícias atacarão a criminalidade com rigor, afastando os criminosos do local, restabelecendo a ordem e abrindo caminho para que o Estado ataque a causa, a raiz da violência. Começamos pela Vila das Torres, mas levaremos o projeto para outras regiões do Estado.

Já passou do momento de modernizar a maneira de se combater a criminalidade. Se o discurso culpa parte da violência pela situação social, somos os responsáveis por tirá-lo do papel, aplicando na prática esta que é uma das grandes saídas para quebrar o ciclo do envolvimento de cidadãos excluídos com a prática do crime.

Luiz Fernando Delazari é promotor de justiça e secretário estadual da Segurança Pública.