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Os dados que a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou na última terça-feira registram um momento histórico brasileiro. Hoje, mais da metade da chamada população economicamente ativa – 51,89%, para ser mais exato – pertence à classe média, com renda familiar mensal entre R$ 1.064,00 e R$ 4.591,00. É a consolidação de uma movimentação que começou no final dos anos 60s e que teve brutal aceleração nos últimos 15 anos.

O longo processo de transferência de renda e de mobilidade de classes sociais tem início com as reformas liberalizantes promovidas pelos ministros Octavio Gouvêia de Bulhões e Roberto Campos nos governos de Humberto de Alencar Castelo Branco e Arthur da Costa e Silva, ainda durante o regime militar. A “apertada” da dupla permitiu o primeiro salto, durante o chamado “milagre econômico” do governo de Emílio Garrastazu Médici.

Mais tarde, a inflação e os problemas estruturais do País reduziram sensivelmente a velocidade do crescimento da classe média. Principalmente no período entre os governos de João Figueiredo e José Sarney, quando o aumento de tarifas e tributos arrochou a sociedade. A recuperação veio com o Plano Real, criado no governo Itamar Franco, consolidado com Fernando Henrique Cardoso e reafirmado por Luiz Inácio Lula da Silva, que não fez o que alguns de seus ideólogos queriam.

A classe média chegou ao “paraíso” por conta da rapidez em que as castas mais pobres da população ganharam dinheiro. A subida dos salários, a diminuição dos preços, o aumento da poupança interna e a estabilidade econômica fizeram com quem vivia com dificuldade passasse a ter mais solidez financeira.

E assim se firma um dos maiores processos de transferência de renda e de mobilidade social já vistos no planeta. Algo que só é possível acontecer em países “jovens”, de economias em desenvolvimento e com a maior parte da população ativa. Se demorou ou não, é outra história. Mas é bom ver o Brasil permitindo que sua gente tenha mais prosperidade. Assim, fica mais fácil acreditar no País em que vivemos.

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