O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi peremptório na ordem dada aos ministros boquirrotos: cortam o embalo da desavença pública, pelos jornais, sobre questões que deveriam ser discutidas no recesso dos gabinetes da Esplanada, ou procuram outros empregos. O recado sobremaneira explícito foi dirigido aos ministros Reinhold Stephanes (Agricultura) e Carlos Minc (Meio Ambiente), que escorado no temperamento mercurial vem mantendo com o citado colega da pasta dedicada a zelar pelos interesses do agronegócio, desde a chegada no primeiro escalão do governo federal, um acalorado debate com base em pontos de vista antípodas sobre a necessidade de promover alterações na legislação ambiental.

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Lula fez chegar aos ministros por interpostos mensageiros o total desagrado com o andar da carruagem, reprovando a discussão pela imprensa de assuntos que deveriam ser tratados em particular. O presidente deve ter mandado dizer aos auxiliares que roupa suja se lava em casa, embora decerto tenha utilizado um linguajar mais próximo do protocolo. Contudo, a licença que aqui nos permitimos não foge e, tampouco é uma falta de apreço à costumeira verve de sua excelência e, nem a seus constantes exageros verbais puxados por questiúnculas, como as que ora tonificam os atributos idiossincráticos do introspectivo ministro da Agricultura e do boquirroto porta-estandarte das causas ambientalistas.

Um ministro chegado ao presidente revelou aos jornais que a discussão pública de integrantes do primeiro time não interessa ao governo e muito menos à sociedade. Diante disso, não houve alternativa senão fazer chegar ao conhecimento dos turrões o mal-estar causado no gabinete presidencial, em face das picuinhas alimentadas pelos referidos figurantes em torno da reforma do Código Florestal.

A palavra usada no recado a Stephanes e Minc para definir o sentimento momentâneo de Lula foi “irritação”, ou seja, o chefe do governo chegou ao nível da saturação com a falta de sintonia entre ministros que, mesmo ressalvadas as opiniões contrárias sobre questões pontuais, deveriam primar pela coesão das ideias em torno das questões de fundo, evitando dessa forma expor o governo ao desgastante espetáculo de um deselegante bate-boca ministerial.

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A intervenção pessoal do presidente se fez necessária, porquanto a pendenga entre os ministros já parecia assumir a perigosa conotação de um duelo de expressões ofensivas entre os litigantes. Stephanes afirmou, em certo momento, que o colega do Meio Ambiente parecia agir de modo “incorreto”, estilhaço devolvido prontamente por Carlos Minc com uma carga não menos agressiva, ao atribuir ao desafiante o comportamento de pessoa “descompensada”. Foi nesse contexto prestes a sobrepujar as normas da convivência respeitosa entre fidalgos, para se transformar numa abjeta troca de qualificações impublicáveis, que espocou o xeque-mate de Lula. Caso os insubmissos queiram prosseguir com o desagradável confronto de babuínos o melhor que têm a fazer, segundo a interpretação palaciana, é apresentar suas cartas de exoneração.

A temperatura do debate se elevou quando o ministro Reinhold Stephanes tomou a decisão de extinguir o grupo que discutia as propostas de modificação do Código Florestal, diante do conflito de interesses entre ambientalistas e ruralistas. A reação de Minc foi ordenar aos representantes da pasta que boicotassem as reuniões do grupo técnico, além de recuar em acordos específicos anteriormente celebrados, como o plantio de espécies exóticas em áreas de recuperação e a manutenção das usinas de álcool já instaladas na região do Rio Paraguai, um dos principais formadores do Pantanal.

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Talvez o gesto mais descabido de Minc, sempre seguindo a exegese do Planalto, foi ter pleiteado a intermediação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que obviamente ficaria entre dois fogos. O pote entornou e os desavindos foram chamados às falas.