A Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) divulgou no meio da semana um relatório que traz boa notícia para o Brasil. Todas as projeções de desenvolvimento econômico da região foram revisadas e o balanço final mostra que o cenário tende a piorar em todos os demais países, com exceção do Brasil, onde haverá sensível melhora. De acordo com o documento denominado Estudo Econômico da América Latina e Caribe 2008-2009, haverá na região a queda de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB), além de aumento do desemprego para 9% da população economicamente ativa.

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No relatório anterior, anunciado no mês de junho desse ano, a retração para o exercício atual estava estimada em 1,7%, quase dobrando em relação ao cálculo fechado em abril, que indicava a perspectiva de 0,9% de encolhimento do PIB. Assim sendo, há razões de sobra para comemorar que o novo relatório da Cepal está prevendo para a economia brasileira uma retração de 0,8% no encerramento desse ano. Em abril, a entidade havia estimado a retração brasileira referente a 2009 em 1%.

O resultado ruim para a América Latina e Caribe, entretanto, começará a mudar a partir do final desse ano, registrando crescimento positivo de 3,1% em 2010. Para a Cepal, entidade internacional filiada à Organização das Nações Unidas (ONU), o desempenho da economia regional está sendo fortemente afetado pela queda das exportações de bens no primeiro trimestre em função da redução da demanda externa. A comparação foi estabelecida com os primeiros três meses do ano passado. Outro aspecto negativo identificado pelos técnicos da Cepal foi a contração de 40% no fluxo do Investimento Estrangeiro Direto (IED).

Como era de se esperar, a conjuntura adversa causou sérios impactos sobre o mercado de trabalho, de modo especial entre o começo de 2008 e o primeiro trimestre de 2009, quando mais de um milhão de pessoas perderam os empregos nas zonas urbanas da região. No ano passado a taxa de desocupação chegou a 7,4%, mas a estimativa da Cepal para o exercício corrente é que a proporção de desempregados suba para 9%, deixando mais de três milhões de pessoas sem emprego formal, alargando os níveis de pobreza em grande parte dos países da América Latina e Caribe.

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No Brasil, os indicadores econômicos devem reagir de forma bastante animadora, porquanto a Cepal está estimando para 2010 um crescimento econômico de 3,5% do PIB. O estudo econômico da Cepal para o biênio 2008-2009 aponta as economias do México, com estimativa de queda de 7%, Paraguai (3%) e Chile (1%), dentre as economias regionais com o desempenho mais sofrível. Mas, a despeito da enxurrada de previsões negativas assinadas por consultorias privadas, a Cepal ainda não cancelou a aposta no PIB positivo de 1,5% na Argentina, ademais de resultados alentadores em todas as economias da região, incluindo o México, no próximo ano.

Entretanto, há pouco menos de dois meses a mesma Cepal havia colocado o dedo numa ferida ainda aberta no Brasil. Pesquisa apresentada durante encontro internacional mostrou que a carga tributária brasileira corresponde a 36% do PIB, imbatível no comparativo efetuado com base em dados relativos a 2007 em 19 países da América Latina e Caribe. O interessante é que os técnicos da instituição concluíram que os países que mais cobram impostos foram os menos atingidos pela crise financeira internacional. O argumento principal é que o nível da pressão tributária é o indicador decisivo de possíveis efeitos na área da arrecadação, colocando os países com menor carga tributária no grupo dos mais expostos à turbulência externa. Não por acaso, o exemplo invocado foi o do Haiti, exatamente a economia menos desenvolvida da região, com carga tributária correspondente a 10% do PIB.

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Porém, nem tudo é perfeito, pois a Cepal garante que carga tributária mais alta significa maior capacidade de redistribuição da riqueza. Ao que parece, uma preciosa lição desprezada por nossos inerrantes dirigentes políticos.