Censura

Ridícula. Esta é a única palavra que pode definir a atitude de milícias armadas que tentaram impedir a circulação do jornal Extra, do Rio de Janeiro, no último domingo. É mais uma ação que perturba a ordem e ameaça a democracia.

O jornal, ligado às organizações Globo, saiu com a seguinte manchete de capa: “Deputados em campanha mentem para ganhar salário de R$ 13 mil”. Desde a madrugada do sábado havia movimentações nas proximidades da gráfica do Extra para tentar “comprar” exemplares antecipadamente. O chefe de um grupo, apresentando-se como coronel do Corpo de Bombeiros, queria comprar 10 mil exemplares, e levou 850 dos distribuidores que estavam no local àquele momento.

Pela manhã, homens armados foram ao centro de distribuição na Baixada Fluminense, em Belford Roxo, e conseguiram comprar 30 mil exemplares. Outros foram retirados das bancas com ameaças aos jornaleiros. A direção do jornal decidiu informar a Justiça, e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) ordenou a ajuda policial. Com isso, o Extra foi às bancas ontem com a mesma manchete, para que a notícia chegasse aos leitores.

E por que a atitude? Porque os deputados estaduais Marcelo Simão (PHS), Rodrigo Neves (PT) e Alessandro Calazans (PMN) faltaram sessões na Assembléia Legislativa e tiveram suas faltas abonadas com compromissos inventados para garantir seus polpudos salários. E a matéria contava isso. Como Simão é candidato a prefeito de São João de Meriti, Neves a prefeito de Niterói e Calazans a prefeito de Nilópolis, a informação -verdadeira – prejudicaria suas campanhas.

A ação do jornal foi corajosa, contrastando com a tremenda covardia das milícias que tiveram nítida intenção eleitoral. E não há melhor resposta à “censura prévia” que a da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), em nota assinada pelo vice-presidente da entidade, Júlio César Mesquita: “Cabe agora às autoridades policiais investigar a ação criminosa acontecida na madrugada do domingo e à Justiça punir exemplarmente seus autores”. É isto. E ponto final.

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