Os primeiros grãos de soja produzidos no ano agrícola de 2008/09 já foram colhidos e, para o regozijo dos produtores, pelo menos no início de mais uma fase de comercialização, há sinais claros de que a expectativa é boa para a oleaginosa. No caso do produtor brasileiro, especificamente, a notícia não poderia ser melhor, considerando que essa commodity representa uma fatia ponderável na pauta de exportações do agronegócio. Na fase de implantação das lavouras, no ano passado, os produtores estavam muito preocupados com os sinais de incerteza emitidos pelo mercado.
Um dado que surpreendeu os produtores de soja da região do município de Sorriso, no estado de Mato Grosso, foi a evolução da margem média estimada de 4% para as vendas efetuadas até fevereiro, para 22% na última semana de janeiro. Segundo a Agência Rural, uma consultora de negócios agropecuários citada pelo jornal Valor Econômico, em apenas trinta dias a receita líquida média esperada de R$ 64 por hectare, já projeta ganhos de até R$ 350. Da mesma forma, a expectativa de melhoria das margens recebidas pelos produtores também foi percebida em Goiás, cuja margem média de 18% por hectare em dezembro, para os volumes comercializados até fevereiro, pulou para 52% em janeiro.
No importante pólo produtor de Cascavel, na região oeste do Paraná, a estiagem prolongada foi fator determinante para a queda da produtividade da soja, que deverá recuar de 50 para 40 sacas colhidas por hectare. No entanto, a projeção das cooperativas é manter a margem média de 49% por hectare, mesmo contabilizando os efeitos negativos da seca. O contexto favorável decorre da fase de recuperação dos preços internacionais da oleaginosa na Bolsa de Chicago, referência mundial para a formação do preço da commodity. Desde o início do mês de dezembro até 28 de janeiro, na última quinta-feira, os contratos de segunda entrega, aqueles que registram a maior liquidez, tiveram uma elevação de 24,20%.
Para os analistas, a alta do câmbio também contribuiu de forma expressiva para o bom momento do mercado mundial da soja, tendo em vista que entre setembro e o último dia 28, a cotação da moeda norte-americana subiu 18,9% em relação ao real. Na avaliação de especialistas do setor de esmagamento de grãos, caso o dólar se estabilize entre R$ 2,20 e R$ 2,40, a situação ficará ótima.
Por outro lado, os prêmios para a exportação de soja apresentaram-se positivos em janeiro, ao contrário do que ocorreu no mesmo período do ano passado. Para as entregas previstas para março, o prêmio oscilou entre 40 e 50 centavos acima do preço praticado pela Bolsa de Chicago no meio da semana. A mesma tendência de prêmios positivos está sendo prospectada para as entregas de soja que deverão acontecer entre abril e maio, período de maior densidade no escoamento da produção, quando a experiência ensina que os prêmios tendem a ser negativos. A informação foi retirada de uma avaliação realizada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), integrante da Universidade de São Paulo (USP).
Contudo, ninguém sabe dizer quanto tempo vai durar o ciclo de altas nos preços da soja no mercado mundial, em função dos problemas climáticos na Argentina e em outras regiões produtoras e, também do aquecimento da demanda chinesa. A demanda ainda se mantém favorável, embora os fornecedores permaneçam na dependência do volume de compras efetuadas pela China, que atualmente está providenciando a reposição de seus estoques de soja.
Os produtores já pensam na safra corresponde ao ano agrícola de 2009/10, mas em face do nível elevado de endividamento, muitos supõem que haverá dificuldades na obtenção do crédito de custeio para o plantio, mesmo reconhecendo que em agricultura qualquer circunstância pode se alterar repentinamente, como ocorre agora com a inesperada perspectiva favorável para os preços da soja.