O cenário supera todo o clima de suspense capaz de ser imaginado pelo mais arguto dos criadores de arte cinematográfica. Aliás, mais uma vez as coisas se invertem e a vida imita a arte. Como num filme de terror, um centro de pesquisas patológicas envia a laboratórios de 18 países, para a realização de testes, uma espécie qualquer de vírus.

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Ocorre que logo se percebe que os remetentes cometeram grave equívoco, e o vírus já recebido pelos laboratórios estrangeiros foi mandado por engano. Trata-se do terrível H2N2, o causador da gripe asiática, flagelo que matou cerca de quatro milhões de pessoas por volta de 1968. A ordem peremptória é eliminar imediatamente a pavorosa ameaça, destruindo o vírus.

Não estamos resenhando uma obra de ficção. Um centro de pesquisas dos Estados Unidos remeteu, de verdade -por engano -, amostras do vírus causador da gripe asiática a laboratórios de vários países, entre eles o Brasil, para a realização de testes rotineiros.

Os pesquisadores norte-americanos entraram em polvorosa ao pensarem na possibilidade da utilização do H2N2 por organizações terroristas como arma biológica. É óbvio que tal possibilidade é inteiramente fantasiosa, além de remota, tendo em vista o reduzido número de pessoas com acesso a esse tipo de material.

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Todavia, num mundo estranho como é o nosso, onde forças gigantescas se digladiam pelo domínio das fontes de riqueza natural ou manufaturada, todo o zelo é pouco e desconfiar nunca é demais. Compreende-se a ação imediata dos cientistas norte-americanos ao expedir a sentença de morte do violentíssimo inimigo da humanidade.

Cartas foram expedidas aos laboratórios e também ao Ministério da Saúde brasileiro, enfatizando a seriedade da questão e pedindo todo o rigor na execução da tarefa. Num roteiro absurdo que já tem a febre da vaca louca e a gripe do frango, uma nova pandemia de gripe asiática transformaria o planeta num vastíssimo necrotério.

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Em linguagem bíblica, a própria abominação da desolação.