A Assembléia Legislativa do Paraná iniciou ontem as discussões sobre o reajuste salarial dos professores proposto pelo governo estadual. O assunto está na Comissão de Constituição e Justiça, sendo tratado em três projetos: o aumento propriamente dito, a reestruturação da carreira dos professores universitários e a criação de um plano de carreira para os funcionários da rede escolar.
Os temas são de profunda importância para milhões de paranaenses sejam professores, funcionários e alunos, estes pelo simples fato de serem os principais atingidos por qualquer decisão, boa ou má, que o poder público tome em relação aos docentes. E, óbvio, nenhuma pessoa em sã consciência seria contra um reajuste salarial, como este de 10% para os que lecionam na educação básica.
Os professores estão entre as classes mais prejudicadas pelo excesso de burocracia e pela má gestão do dinheiro público. Em outros países (mais sérios), docentes recebem salários dignos, e não um provento humilde como a maioria têm no Brasil. A situação obriga os professores a duas situações: ou trabalham em vários locais para ganhar mais ou simplesmente desistem da educação básica e vão para cursos técnicos e universidades, após uma preparação com pós-gradução e mestrado.
Portanto, cabe às autoridades públicas, sempre que possível, aumentar o salário dos professores, mantendo-os no serviço estatal e garantindo a boa educação para a maioria das crianças e jovens.
Mas por que justamente agora, a apenas dois meses das eleições municipais? É difícil não pensar em um casuísmo eleitoral afinal, é um tema em que todos concordam, e com forte apelo político. Surpreende o fato de os professores serem lembrados neste momento.
Ou talvez seja iniciativa da nova secretária estadual da Educação, Yvelise Arcoverde. Afinal, ela está há menos de um mês no cargo e já mandou um projeto de reajuste para os professores. Quem sabe o antigo ocupante do cargo, mais preocupado com seu próprio futuro, não tivesse pensado nisso.