Castelo de cartas

Uma tragédia comove o País nestes primeiros dias de 2009. O desabamento do teto da “sede mundial” da igreja Renascer em Cristo, no bairro do Cambuci, zona sul de São Paulo, atraiu a atenção da mídia e gerou uma onda de consternação entre pessoas dos mais diferentes credos. Afinal, acima das profissões de fé, somos todos irmãos, e as cenas do ultimo domingo chocaram os brasileiros.

Mas, o desastre acontecido no local (até há pouco conhecido apenas como o templo onde o jogador de futebol Kaká realizou seu casamento) escancarou uma realidade. Algumas igrejas ou seitas, ditas pentecostais, são como castelos de cartas – são erguidos rapidamente, crescem assustadoramente, mas caem ao leve soprar o vento.

A Renascer vive uma crise sem precedentes – se é que uma igreja, que é uma instituição sem fins lucrativos e sequer paga impostos, pode ter crise. A prisão do casal que comanda a igreja, o “apóstolo” Estevam e a “bispa” Sonia Hernandes, por evasão de divisas nos Estados Unidos, mostrou à sociedade a possibilidade de os dois estarem envolvidos em negócios escusos, ou, no mínimo, com enriquecimento ilícito.

Agora, o galpão que é chamado de “sede mundial” da Renascer simplesmente se esvai. Uma jovem, que estava no local na hora do acidente, deu à versão online do jornal Folha de S. Paulo uma explicação aterradora: “Imagine um isopor. Imagine que alguém dá um soco neste isopor. Foi assim o teto caindo”. É esta a proteção que o “apóstolo” e a “bispa” prometem para seus fiéis?

Enquanto as instalações caíam aos pedaços, a Renascer mantinha seu firme propósito de entrar no mundo da comunicação. Já havia tentado comprar a Rede Manchete, e seguia com planos altos. Por sinal, interessante a vontade absurda de alguns “bispos”, “apóstolos” e “missionários” em entrar na mídia, e para isso gastando milhões de reais.

E os fiéis? Aqueles que abraçam as ideias das igrejas ficam à míngua, reféns de alguns (não todos, claro) cidadãos que se aproveitam do desespero alheio para subir rapidamente na vida.

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