Enquanto os índices de popularidade e aprovação do estilo de governar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcança índices jamais registrados depois do restabelecimento das eleições diretas, a dois anos da escolha do sucessor, a pré-candidata da aliança liderada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), a ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, segundo a última pesquisa realizada pelo Ibope indicou, ainda não conseguiu ultrapassar o desconfortável índice de 10% das intenções de voto. Num páreo que alinha os governadores tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), o deputado federal Ciro Gomes (PPS-CE) e a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL). Nesse páreo a ministra-chefe da Casa Civil provavelmente só consegue suplantar o pré-candidato do PDT, senador Cristovam Buarque.

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O presidente Lula tem repetido que se fosse traçar a conduta político-partidária em busca do ideal de tornar-se presidente da República, pelos índices de intenção de voto de suas primeiras campanhas, decerto sua opção mais indicada teria sido desistir do intento. No entanto, não se pode esquecer que Lula somente chegou à presidência na quarta tentativa e, à frente de ampla coalizão partidária que reúne ideologias tão díspares como o neoliberalismo do PP de Paulo Maluf ao socialismo, hoje bastante moderado, do PCdoB de Aldo Rebelo.

A base de sustentação do governo Lula no Congresso Nacional dispõe, ainda, do apoio do PMDB, PTB, PR e PRB, entre outros partidos, nos quais se alojam amplos sedimentos do conservadorismo brasileiro, uma espécie de herança do rancoroso udenismo que acabou fornecendo as condições políticas essenciais para a deflagração do golpe militar em meados dos anos 60s. Portanto, não há a menor surpresa em verificar que na atual composição do ministério do presidente Lula, graças a uma engenharia política sui generis abriu-se espaço para alguns nomes remanescentes da antiga Arena, à época batizado de “maior partido do Ocidente”, exatamente por servir de escoadouro natural para o pensamento direitista.

Pelo menos por enquanto, apesar das repetidas manifestações de entusiasmo com o pré-lançamento da candidatura da ministra Dilma Rousseff à presidência da República, a estrutura dos partidos da base, se é que existe, não conseguiu aportar nenhuma mensagem positiva ao esforço desmedido que o presidente Lula está fazendo para conferir à ministra a aura da vitória. Nos famigerados anos de chumbo, Dilma militou em organizações que o jargão dos quartéis inquinava de subversivas, participando de ações planejadas para lograr a expropriação de recursos alheios a fim de custear as forças que lutavam contra o golpe.

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Vale a pena conjecturar, a essa altura, se não é esse o sentimento de uma grande parcela do eleitorado de Lula em 2002 e 2006, localizada na autêntica colcha de retalhos partidária que não se sensibilizou com as propostas de José Serra (2002) e Geraldo Alckmin (2006), preferindo em duas oportunidades sufragar o antigo líder sindicalista do ABC. Transformar a ministra Dilma Rousseff numa candidata com chances reais de sucedê-lo será mais uma consagração na extraordinária história política de Lula, até mesmo pela dificuldade suplementar de não encontrar um nome forte no PT e tampouco na aliança, a não ser apelando para um quadro do PMDB, ou, em hipótese não desprezível ao deputado Ciro Gomes.

O tucano José Serra está disparado na preferência dos eleitores para a disputa de 2010, ganhando em todos os cenários propostos pelos pesquisadores do Ibope. Inclusive deixa mal o correligionário Aécio Neves, que aparece em empate técnico com Heloísa Helena, com 11% das intenções, em terceiro lugar, abaixo de Ciro com 13%. Serra ganha com folga (37%), com índices expressivos nas regiões Sul (50%), Norte e Centro-Oeste (43%), Sudeste (42%) e Nordeste (37%). É verdade que muita água ainda vai rolar por baixo da ponte, mas as cartas estão na mesa.

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