No Paraná, o feriadão foi marcado por duas invasões promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). As fazendas Pininga e Guairacá ficam no distrito de Lerroville, em Londrina, norte do Estado. Em outros pagos, a onda de invasões foi rapidamente chamada de “Carnaval vermelho”, tendo em vista a cor predominante nos bonés, camisetas e estandartes alçados pelos militantes da organização. Aqui, em várias ocasiões recentes, o MST participou, sem ser incomodado pela Polícia Militar, de inusitadas manifestações restritas a determinadas praças de pedágio, liberando por algumas horas os motoristas que por ali trafegassem do pagamento das tarifas correspondentes a seus veículos.

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No Pontal do Paranapanema, região oeste do vizinho estado de São Paulo, desde sábado passado pelo menos onze propriedades rurais foram invadidas por grupos de manifestantes ligados ao MST, segundo informações liberadas pela Polícia Civil. As invasões foram planejadas pelo principal líder do movimento na região, José Rainha, que curiosamente está proibido pela coordenação estadual de falar em nome da instituição. Ele revelou que o total de propriedades invadidas chegou a 20, em 16 municípios, com a mobilização de mais de duas mil famílias, entretanto, sem uso de violência.

O citado líder do MST, desde há alguns anos tornou-se notório diante da opinião pública em função de inúmeras pendências com a Justiça, numa das quais foi levado a cumprir pena de privação da liberdade, condenado pela autoria intelectual de um crime de morte. As invasões realizadas nos últimos dias no Pontal do Paranapanema, de acordo com a vulgata entoada pelo coordenador das ações, representam o protesto do MST pelo “descaso” do governador tucano José Serra com a implantação da reforma agrária numa região historicamente marcada pela conflagração entre proprietários rurais e agricultores sem terra.

Rainha informou aos jornais que as áreas invadidas se localizam em propriedades improdutivas, todas elas arroladas em processos legais de desapropriação. Algumas das áreas invadidas são consideradas pela Justiça paulista como terras devolutas e, assim sendo, pertencentes ao patrimônio fundiário estadual, apesar das grilagens ocorridas há muitos anos. As críticas do MST também atingem duramente os diretores do Instituto de Terras de São Paulo (Itesp), instituição encarregada da execução da política fundiária do governo de São Paulo, que na visão dos líderes do movimento até agora nada fez.

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O clima esquentou, porém, no município pernambucano de São Joaquim do Monte, onde integrantes do MST mataram quatro seguranças da fazenda Consulta que resistiram à invasão realizada no sábado. Houve intenso tiroteio entre seguranças e trabalhadores sem terra, que antes de abandonar a fazenda atearam fogo a várias casas, além de pichar as paredes com a sigla do movimento. A coordenação estadual do MST distribuiu nota à imprensa alegando que os agricultores acampados simplesmente viram-se obrigados a reagir ao ataque dos seguranças armados.

Pela enésima vez, a sociedade é confrontada com a revelação de circunstâncias que autorizam a suposição da incapacidade da ordem institucional na resolução civilizada de problemas crônicos, como a justa distribuição de terras. É imperioso dar um basta à escalada da violência num setor pontilhado por conflitos que fazem crescer, em vários locais, o número de vítimas inocentes de uma guerra brutalizada pela selvageria.

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