Um despacho da Agência Estado, vindo durante a semana passada, chamou a atenção: “Se você gosta de axé, funk, rock ou música sertaneja, tire as cidades históricas mineiras dos seus planos neste Carnaval. Três das mais visitadas cidades do circuito histórico do estado -Ouro Preto, Mariana e São João del Rey – vetaram esses ritmos nas folias. Em programações patrocinadas pelas prefeituras e nos espaços públicos, só sambas e marchinhas de Carnaval poderão ser executados nas festas. A medida integra o projeto Carnaval das Cidades Históricas para resgatar o “Carnaval de antigamente'”.

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É uma tomada de posição bastante interessante. Os carnavais de hoje estão esquecendo as músicas que fizeram história para aproveitar as “ondas” musicais – quase todas programadas pelas gravadoras e pelas emissoras de TV. Assim, as vertentes baianas ganham espaço desde meados dos anos 80s, e hoje só não tomam conta de todo o (antigamente chamado de) “tríduo momesco” porque os clubes e trios elétricos apelam para as músicas sertanejas e principalmente para o funk, atraindo o público jovem.

Mas os mineiros vão pagar para ver. Das três cidades históricas, Mariana é a que tem o Carnaval mais animado. Jovens de todos os cantos do País vão para Minas buscando a animação da festa nas ruas de paralelepípedos. Ano passado, por exemplo, centenas de milhares de visitantes foram para a cidade e ouviram de tudo. Neste 2009, se quiserem, terão que cantar Vai com jeito, Aurora, Cidade maravilhosa, Tai (Eu fiz tudo pra você gostar de mim, Linda Morena, Pastorinhas e máscara negra, entre outras.

Caso tenham mente aberta, vão se divertir mais. A moderna música brasileira deve muito às marchinhas e aos sambas de Carnaval, que tiveram seu auge entre 1933 e 1970 (ano de Bandeira branca, a última marcha a “ganhar’ o Carnaval). Há melodia, há letra e há alegria honesta, não o ritmo importado e as letras de péssimo duplo sentido. Mariana, São João del Rey e Ouro Preto terão festas inesquecíveis a partir do dia 20.

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