“Uma decisão da 2.ª Vara da Infância e da Juventude e Adoção pode mudar a vida de um casal homossexual que vive em Curitiba. Há dois anos, R.L.S., de 39 anos, e R.P.K., de 40, tentam adotar uma criança. Recentemente, eles tiveram o pedido deferido por uma juíza, que entendeu que o casal vive uma união estável e afetiva e tem condições de criar uma criança de qualquer sexo e faixa etária em ambiente saudável”.
Este é o início da matéria da repórter Cíntia Vegas, na edição de quinta-feira de O Estado. Parece ser um tema até estranho em um país moderno e livre de preconceitos, como imaginamos ser o Brasil. Mas ainda existe aquele Brasil que julgamos estar esquecido, que discrimina à exaustão negros, pobres e homossexuais.
Estes, principalmente, são considerados os párias da sociedade. Seriam, para muitos, excluídos em uma “sociedade perfeita”. Não são tolerados por religiões ou facções agressivas. Não são aceitos em determinadas situações. E por que tudo isso? Somente porque amam pessoas do mesmo sexo? Será que, por conta disso, não são mais humanos? São bichos, ou seres inferiores?
Não, são iguais a todos. Têm os mesmos direitos e deveres que os cidadãos heterossexuais. Se homossexuais não podem ter manifestações sexuais ostensivas em público, na teoria os “heteros” também não podem. Gays, lésbicas e transexuais pagam impostos, votam em seus candidatos e exercem suas funções no mercado de trabalho.
Se pagam impostos, se cumprem suas funções na sociedade, por que não podem adotar crianças? Qual é a determinação que impede tal desejo? O que falta para R.L.S. e para R.P.K. que Marias, Antônios, Bernardos e Joanas têm para poderem criar crianças que necessitam tanto de carinho e moradia?
Na verdade, nada falta, mas sobra preconceito. Sobra para muitos representantes da lei que se julgam superiores. Não conseguem entender que um casal homossexual pode ser tão (ou mais) estável que um casal heterossexual. E que R.L.S. e R.P.K. podem dar a uma criança o amor que ela tanto precisa. Espera-se que a Justiça não falhe neste momento.