Uma imagem de quinta-feira chamou a atenção. Durante a visita dos emissários da Federação Internacional de Futebol Associada (Fifa) a Manaus, avaliando a capital do Amazonas para saber se a cidade pode receber a Copa do Mundo de 2014, o governador do estado, Eduardo Braga, deu um cocar de presente para o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira.

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A fotografia correu mundo, numa conjunção de submissão e constrangimento.

Submissão porque os principais políticos do Brasil estão subjugados por um dirigente de futebol. O poder adquirido por Teixeira nos últimos anos foi potencializado após a confirmação da realização da Copa do Mundo no País. A cerimônia de indicação demonstrou a força do presidente da CBF – foram a Zurique o presidente da República, ministros e os governadores de Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Constrangimento (além do óbvio, que é usar um cocar com terno e gravata) de estar ao lado de uma das pessoas físicas mais investigadas do Brasil. Para quem não tem salário, em uma função pública, salta aos olhos o enriquecimento do presidente da CBF nos últimos vinte anos – é isso mesmo, Ricardo Teixeira é o senhor do futebol mais importante do mundo.

Há oito ou nove anos, o “cartola” não tinha a confiança de ninguém no mundo político (isto é exagero, sempre houve a chamada “bancada da bola” no Congresso Nacional). Foi envolvido em uma CPI, teve que explicar contratos da CBF, perdera o respaldo junto ao governo Fernando Henrique Cardoso e especulava-se que poderia enfrentar oposição na entidade.

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Mas tudo passou. O Brasil ganhou uma Copa do Mundo (2002), Teixeira retomou a afinidade com a classe política e os desmandos do futebol foram jogados para baixo do tapete. O cacique do esporte brasileiro não tem mais do que se preocupar somente com as benesses que os políticos de todos os cantos do País estão fazendo para ele, sequiosos de receberem a Copa em suas capitais. É muito por isso que vários especialistas se preocupam com o evento, pois não teremos acesso algum aos gastos (hiperbólicos) para realizar a competição.