Bossa, 50 anos

Nesta semana acontece o ápice da comemoração dos cinqüenta anos da gênese da Bossa Nova, movimento que transformou a música popular – no Brasil e no exterior. A data é balizada pelo lançamento do compacto de João Gilberto que continha a canção Chega de Saudade, marco principal da Bossa, por conta da primeira união formal entre João, Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes (estes os compositores da música). Eventos acontecem por todo o canto, de Curitiba a Nova York, todos rememorando a excelência autoral e interpretativa do gênero.

Quando se fala em bossa nova, fala-se na “trilha sonora” de um país em profunda modificação. O ano de 1958, definido pelo jornalista Joaquim Ferreira dos Santos como “o ano que não deveria terminar” (em comparação com 1968, “o ano que não terminou”), marcou a modernização urbana do Brasil. Vivia-se a metade do governo do presidente Juscelino Kubitschek e ele promovera intensa industrialização, com a chegada das montadoras de automóveis.

A sociedade se modernizava. A democracia era exercida com plenitude – JK foi eleito, tomou posse e conseguiu levar seu mandato até o final e promover a eleição de seu sucessor (Jânio Quadros). A imprensa vivia período de renovação estilística, com inovações gráficas. Rádio e televisão estavam em sua era “romântica”. O esporte tinha as glórias de Éder Jofre no boxe, Maria Esther Bueno no tênis, a seleção de futebol campeã da Copa do Mundo e a de basquete também campeã mundial.

Todo este período, no inconsciente coletivo, tinha a Bossa Nova como música de fundo. João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes se eternizaram na criação de um estilo único, que sincopava o samba e valorizava as harmonias e a naturalidade da canção. Foi isso que “seduziu” o mercado internacional – nesta comemoração de 50 anos, Dionne Warwick, Frank Sinatra Jr. e Charles Aznavour cantaram bossa nova em suas apresentações no Brasil.

A Bossa é a música de um País diferente. É a trilha de um Brasil que sonhamos ter um dia. De um Brasil que talvez já tivemos, e por isso sentimos uma saudade tremenda.

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