O debate dos candidatos a prefeito de Curitiba, realizado na noite de quinta-feira, pela TV Bandeirantes, foi morno. Compreensível em parte, pois os “prefeituráveis” ainda não se colocaram firmemente em seus lados, o que deve acontecer apenas com o início do horário gratuito nas emissoras de rádio e televisão. Mas decepcionante por outra parte, pois mais uma vez não se viu nenhum candidato bom de discurso o bastante para sacudir a campanha.
Como nos últimos dias, em que a rocambolesca trama do PRTB (a disputa dos que queriam candidato próprio contra os que não queriam) tornou-se o principal assunto político da eleição curitibana, o personagem do debate foi o pitoresco Lauro Rodrigues, do PTdoB. Seus trejeitos e suas engasgadas provocaram um misto de diversão e constrangimento aos que estavam na sede da TV Bandeirantes, e certamente provocaram risos a quem estava em casa assistindo. Rodrigues pode virar uma espécie de “Cacareco” desta eleição em meados dos anos 50s, no Rio de Janeiro, ante a fraqueza dos candidatos, o público votou em massa em um hipopótamo do Jardim Zoológico, que virou o símbolo do voto de protesto.
Mas Lauro representou, acima de tudo, o deserto de carisma que marca esta eleição. Tirando Beto Richa, Gleisi Hoffmann e Fábio Camargo (este por sua experiência recente na televisão), os outros candidatos não conseguem unir idéias, expressividade e estilo. Uns têm idéias, outros expressividades, outros estilo e outros nada disso.
Com isso, o que prometia ser uma troca de idéias e de farpas (direcionadas principalmente a Beto Richa, prefeito, candidato à reeleição e líder absoluto nas pesquisas) tornou-se um espetáculo arrastado, apesar das boas regras propostas pelos organizadores. Ninguém conseguiu sair vitorioso.
Ir bem no debate de quinta poderia representar uma arrancada interessante neste período que antecede o horário eleitoral gratuito. Foi, usando uma analogia do futebol, um empate geral. E empate é sempre bom para quem está ganhando.