O relatório anual da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) que tem o pomposo nome de Anuário Estatístico Portuário informou que o Porto de Paranaguá é o sexto maior do Brasil em volume de cargas. Segundo os dados da agência reguladora, é o segundo ano consecutivo de crescimento, e o melhor resultado em cinco anos.
Olhando desta maneira, apenas com os números absolutos do anuário da Antaq, o volume de cargas do Porto de Paranaguá é satisfatório. Mas sabendo o que aconteceu por aqui nos últimos anos, é possível entender por que os números deste ano são os melhores dos últimos tempos.
Desde que foi mudada a gestão na Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), o interesse econômico e pragmático, visando a melhora constante do porto, foi alterado. Por bom tempo, valeu apenas a visão canhestra, puramente ideológica, que impedia o crescimento por causa de interesses eleitoreiros e políticos. Exemplo claro foi a proibição da soja transgênica, que fez com que o Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, recebesse muito mais navios.
Tomando tal iniciativa, a Appa ficou isolada dentro de um mundo de grande competitividade e rápidas inovações parecido com um governo que, por sinal, controla os Portos de Paranaguá e Antonina. Sofrendo com a queda no volume em anos sucessivos, era natural que os administradores dos portos percebessem o erro que estavam cometendo.
Aí, entra um componente fundamental para compreendermos todos os resultados relativos positivos em setores da economia. O atual estágio de crescimento controlado da economia brasileira está levando, de roldão, todos os setores. É inevitável: se os resultados melhoram, há mais dinheiro no mercado, há mais chance de investimentos, há mais produção, há nova melhora nos resultados.
E a produção industrial e agropecuária registrou aumentos significativos, fazendo os resultados comerciais aumentarem. E os portos evaram vantagem não por sua administração, mas por uma conjuntura macroeconômica favorável.