A notícia é sempre bem-vinda. O texto é do repórter Hélio Miguel, na edição de ontem de O Estado: “Depois de três meses consecutivos de alta, a cesta básica, em Curitiba, iniciou o ano apresentando queda de 0,65% e valendo R$ 227,89”.
Mas o estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta, e está na matéria, um aumento acumulado de 15,23% nos últimos doze meses.
É o primeiro sinal visível de que, apesar do fato ser positivo, o contexto não é dos melhores. Se a inflação anual não chegou perto dos 10% e, mesmo assim, o valor da cesta básica em Curitiba subiu 15,23% nos últimos doze meses, fica evidente que a população mais carente é a que mais sofre com a carestia. Sim, pois a classe média e a classe alta não se preocupam tanto com o valor dos produtos alimentícios de primeira necessidade, bem diferente da “base da pirâmide”. Outro detalhe – a redução da cesta básica não está refletindo uma queda geral nos preços. É fruto da alta demanda de alguns produtos (como o tomate), com o contrabalanço da queda na oferta de outros (como a batata).
E, neste momento, a diminuição da renda dos consumidores força os preços para baixo. É simples: com menos dinheiro no mercado, as pessoas compram menos; para atrair e conquistar este comprador, os comerciantes reduzem suas margens de lucro para criar descontos. É a lógica da deflação, que é um sinal claro de recessão.
Esta é a palavra maldita, “recessão”. Ninguém quer saber dela, mesmo que haja uma “compensação” com a queda nos preços. O recuo da inflação a níveis baixíssimos, sonho da sociedade brasileira, hoje é um perigo, porque refletirá a queda no consumo e a conseqüente redução de ganho de todo o setor produtivo.
É uma roda-viva – as empresas cortam funcionários, o dinheiro começa a faltar, as compras diminuem até o essencial, o saldo da produção cai, as empresas acumulam dívidas, são necessários cortes, e as empresas cortam funcionários e o ciclo recomeça. É dele que precisamos fugir, desesperadamente, neste 2009.