Parece reconhecimento de derrota, mas é a última cartada da oposição na eleição municipal em Curitiba. Já que o prefeito Beto Richa (PSDB), que tenta a reeleição, tem ampla vantagem, os outros candidatos precisam achar um jeito de embolar a disputa e, em uma decisão surpreendente, levar o pleito para o segundo turno.

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E a forma encontrada foi insinuar que, caso eleito, Richa não resista ao “canto da sereia” de seu partido (principalmente de decisões da executiva nacional do PSDB) e saia candidato ao governo do Estado em 2010, deixando a prefeitura para o vice-prefeito Luciano Ducci (PSB). É este o mote da semana para Gleisi Hoffmann (PT), segunda colocada nas pesquisas – com a ajuda de Carlos Moreira (PMDB), agora uma “linha auxiliar” da petista.

Vamos aos fatos. A incrível popularidade de Beto Richa faz com que ele, naturalmente, seja candidato ao governo em 2010.

É inevitável que o nome dele entre nas negociações, já que o PSDB precisa ter candidatos fortes em todo o País para alavancar a candidatura à presidência de José Serra ou Aécio Neves. A iminente vitória em Curitiba faz do prefeito um nome nacional.

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Beto não terá como se comprometer a permanecer na prefeitura de Curitiba até o final de um segundo mandato, em 2012. Ele é peça no xadrez da sucessão. O que pode, inclusive, gerar certa dificuldade para a repetição do arco de alianças que quase elegeu o senador Osmar Dias (PDT) em 2006 – pois hoje há uma divisão entre os que defendem Osmar como candidato e os que defendem Richa como candidato (e quem sair será o favorito à vitória em 2010). Daí a matreirice do ataque de Gleisi Hoffmann: deixa Beto Richa em posição de defesa e cria constrangimentos na coligação que o apóia.

Mas a votação expressiva de Beto Richa deve ser a resposta para os adversários. Eleito com a ampla maioria que se prevê, ele pode fazer o caminho que pretender, pois terá a aprovação da população de Curitiba. E pode nem ficar nem sair para ser candidato a governador – não será surpresa caso ele vire o coringa do PSDB como candidato à Vice-Presidência da República em uma chapa “puro-sangue” dos tucanos.

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