O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem não é lícito abstrair todos os méritos, por força de firme crença na economia conservadora, mesmo em contradição com o que pregou ao longo da trajetória até o Palácio do Planalto, quando ocorreu a brusca guinada, tem conquistado a admiração de chefes de Estado ou de governo das economias mais avançadas do mundo.

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Como em poucas ocasiões recentes, o presidente brasileiro é requisitado para interpretar o pensamento dos governos de países emergentes, que depois de décadas de ostracismo e papéis sem importância no cenário político global, estão sendo tratados como parceiros indispensáveis na discussão da nova concepção da economia.

Por esses dias, o presidente Lula esteve em Roma cumprindo a agenda duma visita oficial à Itália, antes de se deslocar para Washington, onde neste sábado terá início o encontro dos chefes de Estado do G20. Lula teve algumas conversas reservadas com o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que passou a defender a criação de um novo grupo de nações, o G14, sugerindo a inclusão no G8 (os sete países mais industrializados e a Rússia), do Brasil, Índia, China, México, África do Sul e Egito. Quanto a esse país, a justificativa de Berlusconi está na influência exercida sobre os demais países africanos. Berlusconi reiterou que a proposta será defendida por governantes europeus no encontro da capital norte-americana.

Lula admitiu aos jornalistas que o G20 não tem como apresentar soluções para a crise financeira, sublinhando de forma lúcida não ver coerência no fato de que o sistema gera a crise e obriga os governos a colocarem dinheiro para evitar a quebradeira.

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Por coincidência, o editorial de quarta-feira do jornal norte-americano The Christian Science Monitor, destacou alguns traços comuns entre o presidente recém-eleito Barack Obama e o colega brasileiro, levantando a curiosa tese de que na primeira ocasião em que ambos se encontrarem, é provável que o presidente Lula acabe “ensinando a Obama uma ou duas coisas”. Dizendo que Lula é “o Obama do Brasil”, o jornal lembra que à semelhança do presidente americano, o brasileiro também veio da pobreza e militou na esquerda política até chegar ao poder máximo no País. “Mas durante seis anos no cargo, Luiz Inácio Lula da Silva governou do centro, aproveitando os pontos fortes do mercado no Brasil, conquistando o respeito mundial.”

O editorial fez referência à série de reportagens publicadas durante a semana sobre o Brasil, mostrando que o País passou de “gigante adormecido” para uma realidade ativa na economia “graças, em grande parte, à adoção de soluções práticas que agradam os investidores globais e também a maioria dos brasileiros”, conforme os elevados índices de popularidade do presidente da República verificados nas pesquisas de opinião pública. Um aspecto que merece atenção diz respeito aos avanços obtidos na agropecuária, políticas sociais e relações exteriores, áreas em que o Brasil serve de modelo para outros países, especialmente na África.

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Analistas internacionais auguram um relacionamento produtivo entre os presidentes Obama e Lula, assinalando que o brasileiro tem no ministério um antigo professor de Obama na Universidade Harvard, Roberto Mangabeira Unger. O jornal afirma que essa proximidade poderá facilitar a formação de uma poderosa parceria entre Estados Unidos e Brasil em benefício do Ocidente. Pontos a favor de Lula são a inconteste liderança regional, a presença militar no Haiti e os esforços para “acalmar a ameaça de guerra entre Colômbia e Venezuela”, além das arestas quebradas no relacionamento com a Bolívia.

O The Christian Science Monitor opina que se o presidente Lula “conseguir manter um nacionalismo saudável, decerto terá em Obama um parceiro em questões vitais que vão da energia à segurança”. A experiência acumulada no sindicalismo e na arregimentação comunitária concedeu a ambos a habilidade de negociar acordos em prol do bem comum, com certeza, uma qualidade que não pode ser desperdiçada.