Belinati, o isento

Em uma entrevista a uma rádio de Londrina, o deputado estadual Antonio Belinati (PP), que venceu a eleição da cidade, mas não levou porque teve seu registro de candidatura cassado, afirmou que ficará neutro na disputa entre os deputados federais Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT), que voltam às urnas no dia 29 de março. Diz que ainda espera o julgamento do recurso interposto junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), e por isso ficará isento na disputa.

A declaração de Belinati veio dias depois do presidente do Partido Progressista (PP) no Paraná, deputado federal Ricardo Barros, ter anunciado apoio a Barbosa Neto. Esperava-se que, mais cedo ou mais tarde, o ex-prefeito também seguisse o mesmo caminho, retribuindo o apoio que o pedetista lhe deu no segundo turno da eleição de outubro de 2008.

Mas Belinati se fechou em copas, pelo menos por enquanto. E, claro, esta é uma declaração oficial, e que nas conversas políticas poderá ter pouco efeito.

Vencedor nas urnas, o deputado estadual sabe do peso que tem seu apoio. Apesar de ter seu nome manchado por diversas irregularidades, Belinati é o político mais influente e popular de Londrina, e quem receber seu “aval” terá maiores chances de vitória.

E o único na disputa de março que pode receber o apoio dele é Barbosa Neto. Pedetista de última hora, o deputado federal é uma versão renovada de Antonio Belinati, usando da mídia para catapultar seu potencial eleitoral. Hauly, em contrapartida, é inimigo histórico do candidato cassado, e não há a menor possibilidade de composição entre os dois.

Por isso, Barbosa espera ansiosamente pelos movimentos de Belinati. O adiamento do início da campanha para março, acordado pelos dois candidatos, pode ajudar o pedetista, que agora tem o tempo como aliado – desde que, é claro, seu maior cabo eleitoral resolva se manifestar. Hauly, em contrapartida, quer que o tempo voe, para que chegue logo a eleição, e ele possa contar com os apoios (que não são fracos) do prefeito de Curitiba Beto Richa, do senador Alvaro Dias, e do governador de São Paulo José Serra.

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