Batalha do aquecimento

Em paralelo às reuniões do G8 na cidade italiana de L’Aquila, ainda não totalmente reconstruída após os violentos tremores de terra verificados na região há alguns meses, os representantes dos 17 países responsáveis pelas maiores emissões dos gases do efeito estufa, assumiram o compromisso de impedir que a temperatura do globo terrestre suba mais de 2º centígrados em comparação à média conhecida há mais de trezentos anos.

Mesmo não representando tudo o que poderia ser feito nesse aspecto, os governos reunidos no Fórum das Maiores Economias (MEF, na siga em inglês), deram um passo significativo na ampliação das medidas destinadas ao implemento de medidas concretas para salvaguardar o clima.

Observadores admitem a relevância da disposição exibida pelas economias industrializadas, mas assinalam que ainda resta muito a cumprir até que se possa festejar a assinatura do acordo ideal.

Segundo os informes produzidos pelos repórteres que cobriram a cúpula dos países mais ricos do mundo, o documento apresentado não conseguiu definir de modo satisfatório as metas para a redução das emissões dos gases alimentadores do efeito estufa, permanecendo na esfera das boas intenções. A linguagem diplomática mais uma vez cumpriu a missão de colocar em termos elegantes, mas pouco eficientes, um acordo do qual se esperava muito mais do que foi capaz de mostrar. Observadores continuam dizendo que as divergências entre os ricos e emergentes sobre a política global para o clima, seguem produzindo mais distância que aproximação entre parceiros inconciliáveis.

Apesar dos problemas, governos envolvidos manifestam a tendência de não considerar a falta de metas quantitativas como fator restritivo ao alinhamento político do tema, de tal maneira que o conjunto dos povos possa se beneficiar dos avanços colimados. O documento assinado em L’Aquila por 17 chefes de Estado deverá ser analisado na Conferência do Clima das Nações Unidas, marcada para o mês de dezembro. Como se sabe, existe um consenso quanto à redução de 50% nas emissões de gases estufa até 2050 em relação aos níveis de 1990. Tendo em vista a urgência da problemática em algumas regiões muitos clamam por soluções imediatas, ou seja, já para ano de 2020.

Os países emergentes estão cada vez mais convencidos da necessidade de subordinar projetos de desenvolvimento econômico a ações que facultem o controle das emissões de gases poluentes na atmosfera, estimulando a incorporação das novas tecnologias disponíveis. Um diplomata brasileiro, com experiência adquirida na discussão dessa agenda multilateral, lembrou “que todos os países mostraram flexibilidade nas negociações, até mesmo a Índia e os Estados Unidos, que eram mais reticentes”.

Em última análise, o G8 também joga o peso de sua importância econômica sobre a realidade das mudanças climáticas e ambientais, admoestando os países emergentes a trabalhar pela fixação de metas quantitativas na emissão de gases, sugerindo o patamar de 20%. A resposta do G5 (Brasil, China, Índia, México e África do Sul) voltou a contemplar a necessidade de metas mais ambiciosas para os países ricos, reiterando que eles deveriam pensar seriamente nos mecanismos de financiamento das iniciativas dos emergentes e pobres. O referido bloco mostrou entusiasmo pela proposta apresentada pelo governo mexicano quanto à constituição do chamado “fundo verde”. O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, enfatizou que apesar das divergências entre países ricos e emergentes, não há como separar os conceitos de crescimento sustentável e crescimento econômico.

Para o climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em declarações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo na última quinta-feira, “se quisermos ter certeza de que vamos ter aquecimento de 2º C, o corte tem de ser de 80%”. O objetivo proposto pelo G8 para evitar a piora do clima da Terra, é a redução de 50% nas emissões dos gases do efeito estufa em todos os países.

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