A votação do novo salário mínimo regional na Assembleia Legislativa do Paraná, que aconteceu na tarde de segunda-feira, teve de tudo – de manifestações ostensivas de sindicalistas a respostas agressivas de deputados. E, por incrível que pareça, também teve votação e discussão. O que se viu na casa legislativa não será esquecido tão cedo.
A repórter Elizabete Castro, de O Estado, viu tudo e contou na edição de ontem: “A votação do salário mínimo regional foi acompanhada por militantes da Força Sindical, que distribuíram um boletim informativo exibindo os nomes e fotografias dos vinte deputados estaduais que faltaram à sessão ou votaram contra a proposta de emenda constitucional (PEC), que suspendia a concessão de incentivos fiscais a empresas
que efetuassem demissões. (…) O líder da oposição, Elio Rusch (DEM), reagiu acusando os dirigentes sindicais de mentirosos e foi vaiado. Rusch afirmou que o governo estava fazendo ‘jogo de cena’. Em seguida, o líder do PSDB, Ademar Traiano, subiu à tribuna e, mais uma vez, houve uma indisposição entre as galerias e os deputados. Traiano chegou a desafiar um sindicalista para a briga”.
Apesar do baixo nível, o que é necessário discutir é a natureza da proposta. Por baixo da intenção boa, que é a de aumentar o vencimento dos trabalhadores, está uma esperteza do governo do Estado. Sim, porque a proposta só beneficia os funcionários da iniciativa privada, e não se aplica aos servidores estaduais. Portanto, o governo quer que os empresários paguem o que ele não vai pagar.
Essa “sacada” foi notada pela oposição (pela sociedade também), que tentará incluir no projeto uma emenda que estende o salário mínimo regional para todos os funcionários públicos. E se o governo recusasse a proposta dos deputados da oposição, será que os sindicalistas correriam para a Assembleia Legislativa para protestar? Ou estão sendo tutelados pelo governo? Às vezes, fica a sensação que algumas centrais sindicais do Paraná estão retomando a antiga prática do peleguismo, tão comum em períodos de exceção.