Por enquanto ainda não há sinais de crise no mercado de trabalho, segundo constatação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o comportamento verificado no setor em outubro. Nas seis regiões metropolitanas pesquisadas o nível estatístico da desocupação continuou estável em 7,5%, com ligeiro acréscimo da população ocupada. A procura por empregados subiu quase um ponto percentual em outubro em comparação ao resultado de setembro, com o aumento de 176 mil ingressos num universo de 22,155 milhões de pessoas ocupadas nas seis regiões metropolitanas abrangidas pela instituição federal.

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De acordo com Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal do Emprego (PME) realizada pelo IBGE, o mercado de trabalho ainda não foi atingido pela crise “a ponto de fazer dispensas”. Ao contrário, o número de desempregados caiu 1,8%, ou seja, 33 mil a menos num grupo de 1,785 milhão de pessoas. Na comparação com o mês de outubro do ano passado, a população ocupada aumentou 4% correspondendo a mais 855 mil empregos ofertados pelo mercado.

Os dados liberados pelo IBGE confirmam um retrospecto favorável para a economia brasileira em 2008, embora os analistas lembrem que a oferta de empregos sempre mostrou a tendência de elevação nos últimos meses do ano, em função da maior demanda da indústria e do comércio. De qualquer maneira há motivos para comemorar, porquanto a região metropolitana de São Paulo, que representa 40% da população ocupada nas seis regiões pesquisadas, registrou em outubro a menor taxa de desemprego desde o início da série histórica em março de 2002. Segundo Azeredo, “São Paulo se beneficia pela recomposição contínua do mercado de trabalho nos últimos anos e é uma metrópole que tem grande importância. Isso mostra que o cenário econômico na região tem se mostrado aquecido”.

As atenções gerais se voltam para a continuidade desse desempenho confortável no primeiro trimestre do próximo ano, tendo em vista o peso da influência paulista na economia do País. A expectativa é cada vez mais intensa, sobretudo num momento em que o próprio governo já trabalha com a redução da estimativa do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, de 4,5% para 4%. A redução motivada pelo recrudescimento da crise internacional consta da mensagem enviada ao Congresso Nacional pelo ministro Paulo Bernardo (Planejamento), contendo novos parâmetros para o orçamento do exercício vindouro. A presente mensagem substitui a anterior, entregue ao Congresso em agosto passado.

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Trocando em miúdos, a redução da expansão do PIB para 4% significa que o governo federal deverá arrecadar R$ 15 bilhões abaixo da meta fixada inicialmente. Destarte, outros parâmetros contidos na proposta agora modificada também serão obrigatoriamente alterados. O exemplo prático é o cálculo da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2009, que o governo havia fixado em 4,5%. Diante da crise o percentual foi revisado para 5,19%. O governo também se mostra preocupado com os prováveis efeitos da crise sobre o mercado de câmbio, cuja projeção inicial era uma taxa média em relação à moeda norte-americana de R$ 1,71, também alterada para R$ 2,04.

Contudo, a arrecadação de Receita Federal de R$ 65,49 bilhões estabeleceu um recorde para os meses de outubro e deixou todo mundo satisfeito. Inclusive ao fechar o total acumulado entre janeiro e outubro: R$ 564,71 bilhões. Contabilizando apenas a receita com tributos (R$ 60,48 bilhões), o índice de crescimento real do mês passado foi de 9,63% maior que o do mesmo período no ano de 2007, mantendo a estabilidade verificada ao longo dos últimos dez meses. Tributos provenientes da venda de automóveis, ganhos de capital e operações em bolsas mostraram sinais de declínio, advertindo que a crise poderá ser mais prejudicial nesses setores. O governo deve colocar as barbas de molho.

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