O massacre acontecido no estádio do Vila Hauer, em Curitiba, durante uma partida de futebol amador, com duas pessoas mortas (uma delas, um jovem de 14 anos) e oito baleadas, é mais um retrato triste, mas verdadeiro, da vida nas periferias das grandes cidades. A disputa por espaço entre as gangues atingiu proporções inacreditáveis, e vale tudo para conquistar um pouco mais de poder em regiões distantes do centro.

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O que aconteceu no sábado não tem a menor explicação. Três ou quatro pessoas (a polícia ainda não conseguiu precisar) pularam o muro do estádio e chegaram atirando. Havia quatrocentas pessoas no local, dez foram atingidas, duas morreram.
E, para os que invadiram, foi simplesmente um acerto de contas com a gangue da região. Os que lá estavam, os que morreram? Pouco importaram -quem chegou atirando não queria saber quem era ou não era. O que valia era “assustar”, matar sem piedade para mostrar força. É a vida sendo banalizada por completo.

E certamente os rivais também não devem estar preocupados com a morte de inocentes, ou com o que acontecerá com os outros baleados. Eles devem estar pensando no que podem fazer para minar a gangue adversária.

Assim, a periferia sofre por conta de quem não está preocupada com ela. As ações comunitárias, de organizações que se formam na região, ficam em segundo plano. O que interessa é sobreviver em um terreno minado, com forte penetração do tráfico de drogas e com a bandidagem tentando “gerenciar” os bairros mais afastados.

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As pessoas de bem, que lutam pelo desenvolvimento destas regiões, ficam fragilizadas. E para ganhar força precisam da presença do poder público. As políticas urbanas (de todos os governos, não só os municipais, como os estaduais e o governo federal) precisam, cada vez mais, ter o foco na periferia, pois de lá podem sair experiências positivas para todos os cidadãos. E, ao mesmo tempo, tragédias como a de sábado, no jogo de futebol amador, podem ter conseqüências para a cidade inteira, com o recrudescimento da violência.