Os eleitores de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, as três capitais mais importantes do País, escolherão nesse domingo, em segundo turno, quem deverá chefiar o governo municipal no quatriênio 2009-2012. Sendo também os colégios eleitorais mais numerosos, é evidente que tanto o clima da disputa quanto o resultado das urnas exerçam influência direta sobre a eleição presidencial de 2010, aquela que marcará o encerramento dos dois mandatos consecutivos de Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse momento, o espinhoso desafio enfrentado pelo presidente é trabalhar para garantir a eleição do sucessor.
Das três capitais, somente em São Paulo o PT chegou ao segundo turno com Marta Suplicy, embora a candidata que perdera por pequena margem para o atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM), no primeiro turno, tenha permanecido no segundo posto durante o período extra de campanha. A última pesquisa do instituto Datafolha diz que Kassab tem 54% das intenções de voto contra 36% de Marta, cravando praticamente em cima da eleição a folgada diferença de 18 pontos percentuais. Os analistas políticos afirmam que apenas um fato devastador, com a potência de um tsunami varreria a vantagem de Kassab, trazendo algum alento ao depauperado esforço da candidata petista. Nesse aspecto, é unânime a opinião da crítica sobre a equivocada decisão, lançada aos ombros do marqueteiro João Santana, de questionar de forma preconceituosa o estado civil do prefeito, que é solteiro e não tem filhos.
Isto sim deve ser avaliado pelos operadores da campanha de Marta, como uma onda avassaladora sobre as pretensões de Marta, que além de errar na dose ainda recorreu a canhestros argumentos para justificar a mensagem subliminar veiculada no primeiro programa da propaganda eleitoral do segundo turno. Um desastre a lamentar por muito tempo. Na verdade, restou apenas uma probabilidade entre dez para que o presidente Lula possa, olimpicamente, incluir no planejamento das manobras da campanha de 2010, o invejável ganho logístico de ter vencido a eleição na maior cidade brasileira. Por outro lado, quem está pronto para capitalizar, com suficiência de méritos, uma cartada que trará maior vigor a sua progressiva candidatura à Presidência da República, é o governador José Serra.
Em Belo Horizonte, a acirrada disputa entre o ex-secretário estadual Márcio Lacerda (PSB), apoiado pelo governador Aécio Neves (PSDB) e prefeito Fernando Pimentel (PT), e o deputado federal Leonardo Quintão (PMDB), será decidida apenas no dia da eleição. As últimas pesquisas feitas pelo Datafolha e Ibope indicavam clara situação de empate técnico. Para o governador de Minas, só o tempo dirá se a vitória do candidato agraciado com todas as suas fichas reverterá numa apreciável carga de ânimo à disposição de mourejar pela conquista do primeiro posto na chapa tucana à sucessão de Lula.
Alijado da disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro, o PT se limita a assistir na condição de coadjuvante misturado aos vultos relegados à última fila, o confronto entre o ex-secretário Eduardo Paes (PMDB) e o deputado Fernando Gabeira (PV), também empatados tecnicamente. Não se discute que o grande vencedor do Rio, caso Paes seja eleito, será o governador Sérgio Cabral Filho, até aqui fidelíssimo aliado do presidente Lula e nome em franca ascensão no espólio peemedebista. Para um partido que só sobrevive pela aptidão de negociar posições de mando na estrutura federal, ganhar as prefeituras do Rio, Salvador, Recife e Porto Alegre, representará a posse de uma carta capaz de decidir a parada.
Sabe-se que Lula não abre mão do candidato único da base, tanto que deixou o PT à deriva em várias cidades para não se queimar com os aliados. Dilma é a preferida, mas o PMDB pode surpreender jogando sobre a mesa o ás guanabarino. É pagar para ver.