Nós somos a “República das Bananas”. Somos o país do “jeitinho”, da corrupção, das falcatruas, das cobras nas ruas, da capital Buenos Aires. Eles são o Grande Irmão. São os mais modernos, os que convivem com a tecnologia, que ditam as regras do jogo, que comandam a economia. Mas, no final das contas, somos nós, os brasileiros, que damos aula de democracia e tecnologia eleitoral. Na terça-feira aconteceu a eleição presidencial nos Estados Unidos, e os votos demoraram a ser contados. Tem cidade que vota de um jeito, outra que vota de outro completamente diferente, estados que divergem na legislação eleitoral. Enquanto isso, por aqui, promovemos uma eleição profundamente capilarizada, com escolhas de prefeitos e vereadores em mais de cinco mil cidades, e em menos de 24 horas estava tudo resolvido. O método é o mesmo, simples e compreendido por toda a população.

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O Brasil teve, nos últimos dez anos, uma revolução completa no processo eleitoral. A introdução da urna eletrônica agilizou os pleitos e acabou com as fraudes. Permitiu que deficientes auditivos e visuais pudessem votam com mais facilidade, ajudou os analfabetos a escolherem seus candidatos, informatizou a totalização e deu transparência à “apuração” – que antes era recheada de suspeitas e dependia da ação da imprensa e dos partidos para transcorrer com normalidade.

Nos Estados Unidos, não há esta liberdade para o acompanhamento da contagem dos votos. Para quem é brasileiro e olha o processo norte-americano, a impressão que se tem é que os atrasados são eles. Afinal, é tudo tão confuso, tão complexo, e com a diferença fundamental de o voto popular não decidir diretamente o vencedor.

Claro que esta é a essência da democracia federativa norte-americana. Cada estado tem autonomia para escolher seu processo eleitoral, e desta junção de diferenças surge a eleição nacional. Mas, convenhamos, é na simplicidade das nossas eleições que conseguimos construir a nossa jovem democracia, uma criança comparada à deles.

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