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A crise econômica internacional parece não ter fim – quer dizer, depende do Congresso dos Estados Unidos para ser debelada em parte. Mas ela já tem reflexos no nosso dia-a-dia. Em um mundo globalizado, qualquer “susto” provocado em outros países acaba sendo sentido no Brasil. Por isso, chegou a hora de ter atenção com o crédito.

Todos os especialistas ouvidos pela imprensa têm a mesma opinião: uma das principais decorrências da crise será a restrição ao crédito. Em primeira análise, parece maluquice que os problemas dos bancos norte-americanos reflitam na possibilidade de comprar a prazo aqui. Mas é bem isso que vai acontecer, e por uma razão simples – o cerne da questão é justamente o excesso de crédito.

A onda de quebras de financeiras nos Estados Unidos envolve exatamente as empresas de crédito – as imobiliárias e os bancos. Estas começaram a fazer água quando os pequenos investidores, que tiraram dinheiro para construir ou reformar casas nos rincões da América, ficaram sem dinheiro para pagar os seus débitos. Foi a falência de um sistema de empréstimos que foi avalizado pelo presidente George W. Bush e pelo Congresso (que hoje rateia para aprovar o pacotão governamental).

Daí é natural que a primeira coisa que fique restrita no mercado seja o crédito. E é um efeito dominó – mesmo sem culpa aparente, as empresas e bancos brasileiros não conseguem empréstimos no exterior com facilidade; depois, estes dificultam o crédito para os empresários; e, no final da cadeia, os consumidores verão as benesses dos últimos tempos escassearem.

O crédito não vai acabar. Vai ficar mais difícil e mais caro. Parcelar compras em 24 ou 36 meses, como hoje é corriqueiro, será arriscadíssimo devido às novas obrigações e ao aumento da taxa de juros. Por isso é preciso ter muita atenção. Empenhar o orçamento familiar em compras a longo prazo será temerário. Afinal, temos que levar nossa vida da mesma forma que a economia mundial – sempre tentando evitar maiores gastos que arrecadações. Até porque não temos um pacotão dos norte-americanos para nos salvar.

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