Informa a repórter Giselle Ulbrich na edição de ontem de O Estado: “Nos últimos dois meses, 38 presos já conseguiram escapar do minipresídio de Apucarana”. Há dois dias, 23 deles deixaram a carceragem escapando por um túnel de oito metros. Apenas oito tinham sido recapturados até o fechamento da edição. O local, que poderia receber oitenta detentos, tinha antes da rebelião 186 pessoas.
São dois problemas sérios em um local – e é o retrato do sistema penitenciário paranaense e brasileiro. O primeiro é a superlotação. Não há condição de tratamento humano para 186 pessoas em um local que cabem 80. Encher a cadeia, situação hoje inevitável, significa criar de saída um ambiente hostil para os presos, e começar a gerar uma discórdia que pode desembocar em rebeliões e fugas. Ou em ambas.
O segundo é a extrema facilidade que os presos têm para fugir das cadeias. Tirando as unidades de segurança máxima criadas pelo governo federal e por alguns governos estaduais, a maioria dos presídios tem pontos cegos, estruturas mal-acabadas e são malcuidados, dando brechas para as fugas. A última saída de presos em Apucarana foi simples: eles arrancaram os ferros da construção e quebraram o piso de concreto; depois, cavaram com seus pratos de plástico e foram parar no pátio da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), que fica ao lado. Só descobriram a fuga quando um funcionário da Ciretran encontrou o buraco.
E até quando as autoridades competentes vão esperar para começar a solucionar o problema? Claro que não é algo de solução simples, mas sem o primeiro passo nunca nada será resolvido. Já passou da hora dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário perceberem que a crise carcerária está se refletindo nas ruas, nas periferias das grandes cidades e causando o mal a pessoas de bem, que nada têm a ver com isso? Agilizar julgamentos, construir cadeias públicas e moralizar as penitenciárias são necessidades urgentes, são praticamente apelos da sociedade civil.