As apostas do ex-presidente

Em entrevista à colunista do jornal Folha de S. Paulo Mônica Bergamo, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso apontou os governantes que, na visão dele, seriam os mais indicados para se tornarem as principais estrelas da política brasileira. Os indicados foram os governadores de Sergipe, Marcelo Déda (PT), e de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e os prefeitos de Cuiabá, Wilson Campos (PSDB), e de Curitiba, Beto Richa (PSDB). O que estes quatro políticos teriam em comum?

Fosse possível resumir em uma frase, e que ainda seria incoerente na sua essência, seria a “ousadia com cautela”. Os quatro governantes, cada um a seu modo, estão adotando técnicas modernas de administração nos estados e cidades que comandam, sem, no entanto, se afastar do estilo costumeiro de fazer política. Ganham terreno aos poucos, adquirem notoriedade pela grande popularidade que obtêm e acabam se tornando elementos decisivos em todos os pleitos de seus estados – e, em 2010, podem fazer a diferença na decisão presidencial.

O governador de Sergipe é, talvez, a grande estrela ascendente do PT. Desde os tempos de deputado, Marcelo Déda se caracterizava por manter unidas a força contestatória do partido e a tradição conciliadora dos políticos de seu estado. Seu estilo se assemelha ao do “rival” Wilson Campos, o discreto e eficiente prefeito de Cuiabá, que teve uma reeleição consagradora em 5 de outubro.

Eduardo Campos, o neto de Miguel Arraes, tornou-se um fenômeno de popularidade em Pernambuco, suplantando até mesmo a força de Jarbas Vasconcelos. Seu governo é tão bem avaliado que o nome do governador passou a ser citado com força em especulações de candidaturas para a presidência da República.

E Beto Richa? Este pode dar o passo definitivo rumo à consagração no Paraná em 2010. Qualquer atitude que tomar será bem recebida. Se ficar na prefeitura de Curitiba, será considerado o aliado perfeito do senador Osmar Dias, que seria o candidato ao governo. Caso saia para a eleição, é o favorito absoluto. E, para completar, será o “grande eleitor” de seu partido na eleição presidencial.

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