Uma casa degradada por escândalos sucessivos. O Senado Federal está se esvaindo em tragédias, e gradativamente perde seu posto de casa mais elevada da política brasileira, local onde aconteciam os grandes debates nacionais, palco dos nossos grandes tribunos. A casa que outrora teve Afonso Arinos, Milton Campos, Roberto Campos, Jefferson Peres, Teotônio Vilela, Tancredo Neves, Franco Montoro e Danton Jobim, entre tantos outros, agora vê o presidente José Sarney (PMDB-AP) envolvido em atos secretos, desvios de verbas e picuinhas inadmissíveis para alguém que chegou a ser presidente da República.
Neste cenário surge o senador paranaense Flávio Arns (PT). O repórter Roger Pereira, na edição de ontem de O Estado, relatou: “Em meio à crise do Senado e à possibilidade de renúncia ou afastamento do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), o nome do paranaense Flávio Arns (PT) foi ventilado nesta semana como uma alternativa para presidir o parlamento em substituição ao peemedebista. E o nome de Arns surgiu em discursos de senadores tucanos que, sabendo da impossibilidade de eleger um presidente do bloco da oposição, veem o paranaense como uma das melhores opções entre os senadores das maiores bancadas (PMDB e PT), que, historicamente, têm a prerrogativa de indicar o candidato à presidência da Casa”.
O surgimento do nome de Arns como possível solução para o Senado não é uma surpresa. Além de ser ex-tucano (petista “novato”, tal como a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, pré-candidata à presidência), ele é um dos mais moderados da casa, e passou incólume em todos os problemas que aconteceram nas últimas legislaturas.
E o que o Senado Federal precisa é justamente de um comando sensato e correto. Flávio Arns pode ser este comandante, o que seria uma honra para a política paranaense. Claro que não somente ele pode colaborar neste momento, mas a lembrança de um político local em momento tão delicado na Câmara Alta é motivo de orgulho para o Estado.