Eduardo Tavarez

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A redução de barreiras tarifárias em discussão no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio) pode se tornar uma grande armadilha para países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, já que seus gastos governamentais são financiados pelas altas cargas tributárias que incidem sobre os setores produtivos.

Vale salientar que as reduções de barreiras tarifárias são defendidas por países desenvolvidos que visam tornar seus produtos e serviços mais competitivos entre os emergentes, além de ampliar o comércio com muitas nações que ainda aplicam tarifas altas como forma de equalizar suas contas internas.

A pressão sobre a redução de tarifas se amplia com a tendência de desaquecimento no comércio internacional, que este ano deverá ter uma expansão de apenas 6% frente aos 9% de 2004. ?Para reverter a situação, temos de criar mais oportunidades de trocas, em particular nos países em

desenvolvimento?, indicou o diretor-geral da OMC, o francês Pascal Lamy. ?A saída é concluir com sucesso as negociações da Rodada de Doha?, diz sete semanas antes de ser realizada a conferência ministerial de Hong Kong.

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Para Lamy, é preciso adaptar as regras do comércio mundial para melhor atender às necessidades das empresas no século 21. Com essas reduções, empresas multinacionais dos países mais desenvolvidos terão maior capacidade de competição e poderão continuar sua toada expansionista sobre novos mercados, mantendo o ímpeto de crescimento do modelo capitalista.

Com as reduções das tarifas de importações, muitos países se verão obrigados a desonerar o setor produtivo sob o risco de perderem competitividade no cenário mundial e, desta forma, ingressarem em profunda recessão.

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Mas é justamente aí que surge uma grande oportunidade. A desoneração da produção implicará em uma perda significativa de receitas e no incremento do déficit público. Desta forma, torna-se fundamental que esses países aproveitem tal momento para uma profunda remodelação da máquina estatal, com uma ?reengenharia do setor público? aos moldes do que ocorreu com o setor privado nas décadas de 80 e 90.

Ou seja, aqueles países que aproveitarem este momento para rever seus conceitos, remodelando efetivamente seu setor público com aumento da produtividade, redução do número de servidores e o aumento da eficiência nos gastos públicos, terão dias muito melhores pela frente.

Eduardo Tavarez é gerente da Unidade Bicicletas da Levorin Pneus, graduado em Engenharia pela FEI, com pós-graduação em administração e economia pela FGV, mestrado em administração de empresas pela Unip professor da Unip e consultor do Bureau Veritas do Brasil.