A notícia é esta, no texto do repórter Hélio Miguel, na edição de ontem de O Estado: “A apreensão de contrabando feita pela Delegacia da Receita Federal (DRF) em Foz do Iguaçu bateu recorde em 2008. Ontem, a unidade divulgou os números do ano passado, que totalizaram US$ 81.980.997. O valor ultrapassa em 6% o de 2007, que já tinha sido recorde”.

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Há duas deduções do fato. A primeira é plenamente positiva. É importante uma notícia como esta, que mostra que a Receita Federal está trabalhando mais, está cumprindo seu papel e evitando que mercadorias contrabandeadas entrem no Brasil pela Tríplice Fronteira. Por mais que se saiba que há muita gente que sobrevive com as vendas dos produtos “paraguaios”, é errado e quem faz tem que ser punido.

E é bom saber que operações mais arriscadas ou mais complicadas tiveram sucesso. A política de inteligência usada na Receita deu certo, e tem que continuar. Até porque cada passo do poder público é sucedido por novas traquinagens dos contrabandistas, que usam até a baixa vazão dos rios da região oeste e do lago da usina hidrelétrica de Itaipu para facilitar a passagem dos produtos entre o Paraguai e o Brasil. Há que se investir ainda mais, para que se apreendam mais mercadorias irregulares.

E daí surge a segunda dedução do recorde da Receita. Se 2008 foi o segundo ano seguido de aumento expressivo nas apreensões, é porque o contrabando também está aumentando. E, por isso, a boa notícia não pode ser tão comemorada como deveria.

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As ruas e lojas das grandes cidades estão abarrotadas de produtos contrabandeados, principalmente CDs, DVDs e jogos de videogame piratas. Vão-se os direitos, vai-se o trabalho de dezenas de milhares de pessoas no Brasil, que acabam não recebendo o que lhes é devido. Enquanto isso, segue o derrame indiscriminado de material pirata, que há mais de cinco anos superou as vendas de CDs e DVDs originais, criando um imenso mercado paralelo de cultura.

O resumo fiel da notícia que vem de Foz do Iguaçu é que a batalha contra o contrabando não terminou. No caso, só está começando.

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