Está acontecendo por todo canto. Não seria diferente no Brasil. Sem alarde, os governos de São Paulo e Minas Gerais anunciaram medidas de incentivo a vários setores da indústria, principalmente a automotiva. O “pacotão” do governador paulista José Serra foi feito apenas para as montadoras, que estão correndo sério risco de prejuízos monstruosos com a crise financeira internacional.
Aqui, no Brasil, as coisas ainda não estão tão complicadas. Mas as montadoras locais recebem o embalo dos problemas em suas matrizes ou nas operações nos Estados Unidos. Lá, General Motors, Chrysler e Ford estão em maus lençóis. A venda de carros chegou ao mesmo patamar da II Guerra Mundial. Eles precisam de ajuda, e as subsidiárias acabam tendo seus lucros drenados para as matrizes.
Por isso, nossas indústrias automotivas sofrem tanto com a crise internacional, quanto com seus reflexos aqui. Por isso foi muito bem-vinda a ajuda mineira e paulista. E o objetivo é simples – permitir que as empresas tenham condições de oferecer crédito aos consumidores para reaquecer o mercado.
E por que essa necessidade tão premente de crédito? A resposta vem de Jackson Schneider, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea): “Nós vendemos quase 70% através do crédito. O crédito movimenta o nosso mercado e a nossa força de trabalho”, afirmou, durante a cerimônia comandada pelo governador José Serra. Na base da crise internacional, o crédito é necessidade imperiosa não só da indústria automotiva – mas esta talvez seja a que mais precise de uma retomada imediata das linhas de créditos (oficiais ou privadas). O alívio interno vem da ação do governo paulista e também do governo federal, com as medidas anunciadas no início da semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O resultado é uma calmaria no setor produtivo, mesmo com a falta de liquidez do mercado financeiro – como mostram os resultados negativos da Bolsa de Valores de São Paulo. Que esta calmaria se espalhe na economia nacional.