Como se esperava, a força comercial da China começa a se fazer sentir nos países da América Latina com uma pujança digna de menção. Um exemplo é a substituição das compras de aço brasileiro por aço chinês de parte de inúmeros países da América Latina, clientes tradicionais de fornecedores nacionais. Nos últimos dois anos as exportações de produtos siderúrgicos oriundos do mercado chinês para a região, com exceção do Brasil, aumentaram 90%. Nas vendas brasileiras, no entanto, verificou-se no mesmo período uma queda de 38,5%.

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Uma constatação que deve tirar o sono dos responsáveis pela formulação da política de comércio exterior do País e dos principais executivos das empresas voltadas para as exportações. Em 2008, as siderúrgicas chinesas venderam 1,9 milhão de toneladas de aço para clientes latino-americanos, ao passo que as exportações brasileiras somaram 2,6 milhões de toneladas. A diferença registrada em 2006 foi ainda maior, pois enquanto a China vendia 1 milhão de toneladas de aço na região, a indústria siderúrgica brasileira colocava no mercado latino-americano cerca de 4,5 milhões de toneladas do referido produto.

Os números citados constam de relatórios do Instituto Latino-Americano de Ferro e Aço (Ilafa) e do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS). O vice-presidente executivo do IBS, Marco Polo de Mello Lopes, reconheceu que a situação é motivo de grande preocupação tendo em vista que os países da América Latina sempre constituíram um mercado natural para a as siderúrgicas brasileiras. Com os reflexos negativos da crise financeira os mercados norte-americano e europeu se fecharam, passando a América Latina a figurar com uma das novas regiões de interesse comercial para o aço chinês.

Entre 2006 e 2007, as exportações de produtos siderúrgicos da China subiram 50,6% em termos mundiais e 20% para a América Latina, sem contar o Brasil. Até o encerramento de 2008 as vendas do gigante asiático tiveram um pequeno crescimento de 9,2% para o mundo, mas em contrapartida se beneficiaram do estupendo acréscimo de 58% em relação aos países da América Latina. O Brasil comprou 100 toneladas de aço chinês em 2006, mas fechou as contas do ano passado importando 700 toneladas. Para os especialistas, o volume é insignificante perto dos 24 milhões de toneladas que o país consome anualmente.

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Segundo informes da própria indústria siderúrgica nacional, a perda de participação quantitativa do aço brasileiro na América Latina ocorreu em função do aquecimento do mercado interno. As exportações brasileiras caíram 26%, de 12,5 milhões de toneladas em 2006 para 9,2 milhões em 2008. Com base nesses números, o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) concluiu que a perda de espaço chegou a um nível insatisfatório devido à forte concorrência do aço chinês na região. A diminuição do volume das exportações do aço brasileiro, no entanto, foi compensada pela alta de preços do produto no mercado internacional, resultando na atração de divisas da ordem de US$ 3 bilhões no ano passado.

Mello Lopes explicou, ainda, que o problema se agravou com a crise econômica global e a derrubada do consumo mundial em quase 50% entre novembro e dezembro de 2008. A indústria siderúrgica tentou sem obter o sucesso estimado, a colocação no mercado externo do volume disponível da produção de aço. Atualmente, seis dos 14 altofornos existentes no território brasileiro estão desativados e o setor opera com apenas 48,7% da capacidade instalada, de acordo com informações publicadas pelo jornal Valor Econômico neste fim de semana.

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Ao contrário do que ocorreu na maioria dos países, o governo chinês restabeleceu os incentivos tributários para a exportação, propiciando à indústria do aço o aumento da produção. Enquanto a produção mundial caiu 23% no primeiro bimestre de 2009, a China aumentou a produção local em quase 2,5%. Não é sem motivos que muitos países se ressentem da voracidade do apetite chinês.