Claudia Boscheco

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?Em cada medicamento que alivia as dores da humanidade está a ciência do farmacêutico.? Esta frase curta sustenta uma longa trajetória, de séculos, na busca e aperfeiçoamento do conhecimento e responsabilidades assumidas por nós, profissionais do medicamento, da saúde e da vida. A ciência do farmacêutico é muito ampla e bela. A profissão farmacêutica tem como símbolo internacionalmente reconhecido a taça com a serpente nela enrolada. Sua origem remonta à Antigüidade, sendo parte das histórias da mitologia grega. Segundo as literaturas antigas, o símbolo da Farmácia ilustra o poder (cobra) da cura (taça).

No início das ciências da saúde, houve época que, na pessoa do sacerdote estavam embutidos o médico, o farmacêutico e o psicólogo, entre outros. Em 1240, a farmácia foi separada oficialmente da medicina por um edital de Frederico II, imperador da Prússia, que estabeleceu na mesma época um código de ética profissional. Há algumas décadas, ainda existiam farmácias com seus profissionais farmacêuticos habilitados, que formavam um vínculo de confiança na relação médico-farmacêutico-paciente.

Com o advento da indústria, seguiu-se uma tática de separação entre esses dois profissionais, fazendo com que hoje se sintam distantes entre si e até mesmo se desconheçam profissionalmente. Porém, com o ressurgimento da farmácia de manipulação, como atividade restrita do profissional farmacêutico, aconteceu de forma natural o restabelecimento real desse profissional e, conseqüentemente, sua formação completa, que vai desde o preparo do medicamento até a sua dispensação, em que se orienta corretamente o paciente quanto ao uso e aos cuidados. Pode também orientar os médicos quanto às dosagens, farmacologia e interações dos medicamentos.

Mas por que antigas responsabilidades para um novo profissional? Antigas responsabilidades porque a essência da profissão farmacêutica, desde seu princípio, é a luta pela vida. Sempre foi de direito o bem-estar e o acesso à saúde, e para assegurar esses direitos é que trabalhamos, junto de toda a equipe de saúde. Para um novo profissional, porque os farmacêuticos estão mudando suas formas de aprendizado e de como assistir a população.

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A farmácia, hoje, tem por objetivo a promoção da saúde através da personalização da relação de confiança entre médico-farmacêutico-paciente. Com muita certeza, hoje se tem um tratamento altamente diferenciado na área de saúde e cada vez mais se fortalece o elo entre o médico e o paciente. Não são mais suficientes para nós os conhecimentos necessários para a manipulação ou a produção dos medicamentos que aliviam as dores da humanidade. Isso porque muitas vezes essas dores não podem ser curadas unicamente pelo medicamento. O novo profissional farmacêutico passa a estar muito mais integrado à população. Ou buscando por essa integração: acompanhando seus tratamentos para que sejam eficazes e seguros. Orientando e educando para proporcionar qualidade de vida, saúde e preservar a vida. É um profissional em constante aperfeiçoamento.

Novos farmacêuticos são formados com todo o conhecimento técnico necessário, mas são presenteados com conhecimentos humanísticos para um atendimento muito mais completo e humano daqueles que necessitam de seus serviços. As perspectivas para a profissão farmacêutica nos próximos anos são otimistas.

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Munidos de conhecimentos até então por nós desconhecidos, o novo farmacêutico fará por merecer e ser respeitada sua definitiva e reconhecida inclusão na equipe de saúde. Desta vez, não como quem se esconde atrás das portas do laboratório, mas como um profissional que divide com aqueles que depositaram a confiança pelos cuidados com saúde e sua vida! Ele é também co-responsável pela saúde de seus pacientes.

Certamente, estas são idéias ainda revolucionárias e talvez até um tanto distantes da realidade farmacêutica, mas cabe a nós a vontade de mudar; a vontade de crescer e fazer nossa profissão ainda mais bela e necessária.

Lembrando o Eclesiástico 38:7 – ?O farmacêutico faz misturas agradáveis, compõe ungüentos úteis à saúde e seu trabalho não terminará?.

Assim, colegas farmacêuticos, neste dia 20 de janeiro, quando se comemora o Dia do Farmacêutico, sintam-se orgulhosos e parabenizados. Lembrando Monteiro Lobato: ?O papel do farmacêutico no mundo é tão nobre quão vital?.

Claudia Boscheco é farmacêutica industrial na área de Atenção Farmacêutica pela UFPR e trabalha na Apparenza Laboratórios de Manipulações Cosméticas e Farmacêuticas.