O ministro Guido Mantega continua insistindo na versão otimista de que não há motivos suficientes para duvidar da excelente situação da economia do País, esnobando os analistas que batem na tecla da contenção dos gastos públicos como fator preponderante para o equilíbrio das contas internas, num momento de pânico como é o atual. Mantega alega estar autorizado pela evidência desses mesmos analistas terem errado sistematicamente nas estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2006 e 2007.

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Mantega não viu problemas em doutrinar que as “projeções desses cidadãos” vão continuar erradas para 2008 e 2009, segundo declarações feitas à Folha de S. Paulo, em entrevista publicada na edição de domingo, na qual passou uma receita: “Deviam tomar um Prozac para ver se melhoram. Em 2007, nenhum desses analistas disse que o Brasil ia crescer 5% e cresceu 5,4%. Diziam 3%, 3,5%, no máximo. Agora, esses analistas dizem que a economia vai crescer 2%, 1%, ou até zero em 2009”, assegurando que “eles estão totalmente equivocados. Mais uma vez vamos mostrar que eles estão errados. Vamos aguardar para ver o tamanho da encrenca da economia internacional, mas nós temos antídotos”.

É o tipo de declaração ufanista que a sociedade deve guardar na memória para cobrar no momento oportuno, enquanto clama aos céus para dar razão à principal autoridade econômica brasileira, apesar da aspereza do conjunto de sinais ameaçadores procedentes duma crise sabidamente globalizada. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz questão de transparecer à cidadania o domínio de um dom que jamais será desfrutado pela massa, qual seja a posse de informações privilegiadas sobre a inquebrantável resistência da economia interna. “Ninguém deve deixar de comprar”, bradou Lula, muito embora os exegetas sempre queiram explicar que o presidente estava em plena campanha por seus aliados paulistas, creditando a licença oratória à reconhecida aptidão do antigo presidente do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, sempre que sobe a um palanque.

Para a maior parte dos empresários, no entanto, a leitura é diferente. O exemplo direto vem da indústria de transformação que utiliza matérias-primas como o aço, resinas, componentes eletrônicos, papel, materiais de construção civil e produtos químicos. Com a elevação da cotação da moeda norte-americana, esses itens sofreram reajustes inesperados de até 30%, pressionando os custos de produção em setores vitais do complexo industrial do País. Empresários do setor industrial não escondem a insatisfação com a alta repentina dos insumos, para muitos deles, resultante de manobras oportunistas e sem justificativas plausíveis. As negociações entre fornecedores e compradores de matérias-primas acabaram entrando num clima de tensão, transferindo igualmente para o setor varejista a perspectiva de elevação forçada dos preços nos dois últimos meses do ano.

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Segundo se informou, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) deverá divulgar no dia de hoje os dados da aferição periódica realizada pela instituição, com a finalidade de medir o grau de confiança dos empresários na economia. Para a maioria dos analistas não haverá surpresa se a pesquisa desnudar o crescente ceticismo dos empresários em face das dificuldades das negociações para a aquisição de matérias-primas, escassez de crédito e aumento da taxa de juros, além dos efeitos devastadores da duração da eventual recessão do mercado mundial.

A pesquisa anterior divulgada em julho último revelara o índice de 581 pontos na confiança dos empresários na economia nacional, numa escala de zero a cem. Na ocasião, a confiança dos empresários na economia mostrou uma queda pronunciada (3,9 pontos), situando-se 2,2 pontos abaixo do nível detectado em julho do ano passado. Nos últimos dias circularam rumores de maus ventos soprando sobre a indústria, restando apenas convencer o ministro Guido Mantega. 

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