Na frieza da chatice, a virada do dia 31 de dezembro de 2018 para o dia 1º de janeiro de 2019 não tem nada de mais. Na verdade, nada de diferente acontece. O dia anterior virou sem nenhuma celebração, e o de amanhã terá fogos e comemorações. É assim desde que o Papa Gregório XIII, no ano de 1582, promulgou o calendário que usamos até hoje.

A importância do Ano Novo foi uma convenção criada por nós para marcar uma virada de ciclo, como o ponto inicial para a chance de fazermos algo diferente do que já fizemos. Comemorar as conquistas (ou chorar as frustrações), recarregar as baterias com sidra barata e preparar o terreno para o ano que entra.

Estão por vir 365 dias em 2019. Com boa margem de erro, temos todo este tempo à nossa disposição para sermos diferentes. Eu e você, leitor da Tribuna, somos donos do nosso destino e temos influência direta e decisiva nos eventos que se avizinham.

A chance que se apresenta é muito mais relevante do que a do voto, por exemplo, superestimada como quase sempre. Agora que está tudo consumado (votos computados, eleitos empossados) a “parada” é com a gente.

De nada adianta o novo presidente e todos os políticos terem um governo esplêndido (ou miserável), se não cuidarmos do nosso bom e velho umbigo. Se não olharmos com carinho e compreensão para o nosso “cosmos”, para as estrelas que compõem a constelação de nossas vidas, não haverá governo bom ou ruim o suficiente para resolver os pepinos que nós mesmos plantamos, cultivamos e colhemos.

Muita gente se esconde atrás da transferência de responsabilidade para não ter que arcar com o peso do fardo de suas decisões. As “nossas decisões” são muito mais importantes que a de qualquer político, afinal a repercussões delas têm impacto direto no nosso dia a dia.

Decidir dar o “bom dia” que nunca foi dado ao porteiro, ou o sorriso para o zelador que sempre lhe sorriu, ou quem sabe ser gentil com a vózinha que mal conseguia empurrar o carrinho do supermercado. Decidir conversar com o filho após a traquinagem ao invés de gritar e ofender, decidir compartilhar o pão com quem tem fome, ao invés de dar de ombros à sua aflição sem refletir um segundo sequer sobre a verdade desse sentimento.

Essas pequenas decisões são capazes de nos dar a paz de espírito que precisamos para manter a sanidade ao longo do ano. 2019 será mais uma vez um ano de luta, de dificuldades e desafios. Mas como não há o que fazer para evitá-los, já que nossa realidade é esta e ponto final, por que não enfrentá-la com a mente mais leve, com pequenas mudanças que também deixem mais leves as vidas de quem nos cerca? Reclamar menos, fazer mais. Empatia, gentileza e amor.

Precisamos de muito mais amor.

Assim, quem sabe, a virada de dia para dia nos dê motivos para celebrar tanto quando a virada do ano que ainda nem começou e termina só daqui a 366 dias.

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