A defesa do meio ambiente foi a tônica da proposição do Ministério Público Federal (MPF), que entrou com uma ação civil pública com pedido de liminar contra a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), para suspender as operações do terminal público de álcool, que fica em Paranaguá. E a Justiça acatou o pedido. A atitude do MPF recoloca na pauta a discussão entre desenvolvimento e ecologia.

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Todos gostaríamos de ver a ligação umbilical entre o crescimento econômico e a proteção ao meio ambiente, mas a junção dos dois fatores é muito complicada – e quase impossível em países em desenvolvimento, como o Brasil. O que aconteceu em Paranaguá reforça esta tese. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que deveria defender dentro do governo a biodiversidade de nosso Estado, concedeu a licença para a criação do terminal público de álcool, e estudos apontam para a falta de conhecimento do real impacto da atividade na região.

Foi por isso que o vereador de Paranaguá, Eduardo Costa de Oliveira (PSDB), entrou com um pedido no Ministério Público para suspender as operações do terminal. É preciso saber com profundidade quais são os riscos para as comunidades que moram nas imediações do local. E há outras empresas na região, e pelo menos moradores de dois bairros (Canal da Anhaia e Vila Becker) que podem sofrer com possíveis problemas de saúde.

Não é à toa que o MPF, na ação civil pública, pede que “o IAP seja proibido de emitir licenças ou autorizações ambientais para desenvolvimento de qualquer atividade, que implique o manuseio de produtos químicos no terminal”, como informou a repórter Elizabete Castro na edição de ontem de O Estado.

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Por mais cruel que seja a luta entre o capital e o meio ambiente, é necessário dos agentes públicos a mais profunda reflexão sobre os impactos ecológicos de qualquer atividade no Paraná. E o Instituto Ambiental do Paraná, mesmo podendo ser considerado um “entrave” ao desenvolvimento, tem a obrigação de defender nossa biodiversidade. Antes um IAP renitente e defensor da nossa flora e fauna, que uma entidade submissa aos interesses econômicos.