A mocidade tem enorme potencial de entusiasmo para causas nobres, que não pode ser desconhecido ou ficar subutilizado. O idealismo e a generosidade sempre foram suas características. Moços e moças estão a esperar oportunidades e convites para se envolverem em projetos comunitários, sociais e ambientais. A bem da verdade, a maioria das pessoas e instituições sentem necessidade de praticar o bem e a justiça.
Sem exceção, todas as instituições educacionais devem ensinar a lição da solidariedade e da preservação do meio ambiente a crianças e jovens, oferecendo-lhes oportunidade de vivê-la em experiências concretas. Não podemos aprender a andar de bicicleta ou a nadar com aulas apenas teóricas. Assim é também com a caridade: amar se aprende, amando; servir se aprende, servindo. Enquanto instituição voltada para a conservação e a produção de conhecimentos, a universidade tem, como missão, colocar a riqueza deste mesmo conhecimento a serviço da sociedade, em vista do desenvolvimento integral do ser humano.
?Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância? (Jo. 10,10). Esta expressão de Jesus deve ser palavra de ordem, propósito constante, bússola orientadora, enquanto gestores, educadores, comunicadores, médicos, empresários, cidadãos. O saudoso papa João Paulo II, na encíclica sobre a solicitude social da igreja (Sollicitudo Rei Socialis), exorta que apliquemos a Palavra de Deus à vida das pessoas e da sociedade e isso implica, necessariamente, que levemos a sério o dever da solidariedade, a ação comunitária, o voluntariado e o senso de cidadania.
Assim, as universidades precisam tornar explícito o seu compromisso social, que deve ser amplo e atuante. Convém lembrar o que diz o professor Cristovam Buarque, em seu livro A aventura da universidade: ?O que faz a universidade elitista não é o fato de que alguns pobres não terão seus filhos médicos, mas o fato de que os pobres não terão médicos para seus filhos?.
Os programas de ação comunitária e ambiental – ProAção e os projetos comunitários da PUCPR são importantes também porque têm efeito multiplicativo. Discípulos e mestres atuam em várias áreas, com muitas frentes de trabalho. Oportunizam a realização de atividades no campo do ensino, da pesquisa e da extensão universitária. A possibilidade de aplicar imediatamente conhecimentos e descobertas científicas avançadas aprendidos nos laboratórios e nas salas de aula requer a adoção, pela academia, de novas abordagens pedagógicas, espaços para estudos e trabalhos conjuntos e integração de esforços entre especialistas. Está claro que ninguém resolve nada sozinho, que uns precisam dos outros, e que é, precisamente, a soma de esforços que promove as diferenças desejáveis e duradouras.
O pedido ?dá-me de beber?, dirigido por Jesus à samaritana que se aproxima do poço para apanhar água, lembra também a sede do povo israelita no deserto do Sinai; uma sede saciada pela intervenção divina que faz brotar água da rocha; uma sede de dimensão espiritual, aquela da samaritana, que acabará por solicitar a Jesus que sacie a sua sede, suplicando: ?Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede?. Notamos como do diálogo, que parte da sede de Jesus que pede água à mulher, chega-se à água que Ele oferece. Água viva que satisfaz toda sede e torna-se, para quem a bebe, uma fonte que jorra para a vida eterna. Em essência, os ProAção e os projetos comunitários saciam a sede e a fome das populações e organizações assistidas, por meio da solidariedade da juventude universitária.
Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.